O relatório da ONU confirma a utilização de gás Sarin nos ataques na Síria, avança a «Reuters».

Ban Ki-moon qualifica ataque na Síria como «crime de guerra»

Uma fotografia do investigador de armas químicas, Ake Sellstrom, a entregar o seu relatório de 21 de agosto sobre os ataques em Damasco confirma que foi usado gás Sarin nos ataques.

O relatório - que será hoje divulgado - acrescenta que as armas químicas foram usadas «numa escala relativamente grande» na guerra civil síria, que se prolonga há 30 meses.

O ataque químico de 21 de agosto, agora confirmado, deixou o mundo à beira de uma nova guerra, com os EUA a ameaçarem intervir no conflito. A «solução» de desarmamento químico proposta pela Rússia veio adiar uma eventual intervenção, mas a situação está longe de ficar solucionada.

A Rússia advertiu hoje que a ameaça de consequências na resolução da ONU sobre a Síria pode fazer fracassar o processo de paz, mas disse-se convencida de que os Estados Unidos vão manter o enquadramento definido com Moscovo.

Serguei Lavrov, ministro dos Negócios Estrangeiros russo, reagia à declaração saída do encontro de hoje dos homólogos francês, britânico e norte-americano defendendo uma resolução «forte» que preveja «consequências» em caso de incumprimento pelo regime de Damasco.

«Se para alguém é mais importante ameaçar constantemente, essa é uma via para destruir completamente as hipóteses de organizar uma Conferência de Genebra II», disse Lavrov a jornalistas em Moscovo, referindo-se a uma reunião internacional para encontrar uma solução política para o conflito na Síria.

A França anunciou hoje a organização, na próxima semana em Nova Iorque, de uma «grande reunião internacional» para reforçar o apoio à oposição síria, depois de um encontro em Paris com os homólogos britânico e norte-americano.

«Sabemos que para negociar uma solução política é precisa uma oposição forte. Contamos, nesse sentido, reforçar o nosso apoio à coligação nacional síria e, nesse espírito, vai ser organizada em Nova Iorque, por ocasião da Assembleia Geral das Nações Unidas, uma grande reunião internacional», disse o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Laurent Fabius, numa conferência de imprensa.

A França, o Reino Unido e os Estados Unidos pediram hoje uma resolução da ONU «forte e obrigatória» sobre a entrega pela Síria do seu arsenal químico, anunciou a presidência francesa.

O Presidente francês, François Hollande, e os chefes das diplomacias britânica, William Hague, e norte-americana, John Kerry, acordaram, num encontro que mantiveram hoje em Paris, que tem de haver «um calendário preciso» para o desmantelamento do arsenal sírio, segundo um comunicado da presidência.

Durante o encontro, François Hollande sublinhou que os três aliados devem «manter a linha de firmeza que permitiu desencadear o processo diplomático e de solidariedade», segundo fontes da presidência citadas pela agência France Presse.

O Presidente do Irão, Hassan Rohani, também falou e acusou o Ocidente de uma «conspiração internacional» a favor de Israel e contra o mundo árabo-muçulmano que ultrapassa o conflito na Síria.

A instabilidade vivida «na Líbia, na Tunísia, no Egito, no Iémen, no Bahrein e na Síria» são «elementos de uma única conspiração» para «reforçar o poder de Israel» e «enfraquecer a frente de resistência ao Ocidente e a Israel», disse o Presidente iraniano num encontro com responsáveis dos Guardas da Revolução, o corpo de elite do exército iraniano.

«Sabemos bem que o conflito (na Síria) não diz respeito a uma pessoa ou a um Presidente, ou a uma fação que tome o poder», disse Rohani no discurso, transmitido pela televisão.