Mais de quatro mil imigrantes ilegais morreram desde janeiro último, dos quais dois quartos perderam a vida a tentar a atravessar o mar Mediterrâneo, revelou esta segunda-feira um relatório da Organização Internacional para as Migrações (OIM).

Desde o início do ano, a OIM registou, em todo o mundo, 4.077 imigrantes ilegais mortos, incluindo
3.072 pessoas que morreram quando tentavam atravessar o mar Mediterrâneo e alcançar as costas europeias.

As mortes registadas na zona do Mediterrâneo representam mais do dobro do número registado em 2011, ano da Primavera Árabe, a vaga de contestação popular que atravessou vários países do norte de África e do Médio Oriente.

O relatório da organização destacou ainda a morte de 230 pessoas na fronteira entre o México e os Estados Unidos.

De acordo com os dados recolhidos pelos peritos da OIM, o número de imigrantes que morreram nos últimos 14 anos ao tentar atravessar fronteiras de forma ilegal supera os 40 mil.

A organização internacional, com sede em Genebra, admitiu, no entanto, que este balanço está revisto em baixo, uma vez que muitas mortes não são registadas.

Os especialistas da OIM calculam que em cada corpo recuperado, dois nunca são encontrados.

A organização alertou para o facto de não existir nenhuma instituição que trate destes registos a nível global, criticando ainda a posição dos muitos governos implicados no flagelo da imigração ilegal. Para OIM, as autoridades não têm qualquer interesse em recolher e divulgar este tipo de dados.

O relatório da OIM indicou ainda que 70% das mortes registadas este ano são referentes a corpos que nunca foram recuperados no mar. Na maioria dos casos, não foi possível saber se a vítima mortal era homem ou mulher.

O documento da organização internacional referiu também que a maioria das vítimas mortais era proveniente do continente africano e da região do Médio Oriente, com a Síria e a Eriteia a serem os principais países de origem, como noticia a síntese da Lusa.