A Coreia do Norte criticou a «dupla moral» da ONU no julgamento de violações aos direitos humanos, referindo-se ao relatório divulgado pelo Senado norte-americano sobre as práticas de tortura da CIA.

O Conselho de Segurança «desvia o olhar perante as torturas desumanas praticadas pela CIA», afirmou um porta-voz de Pyongyang, num editorial em que condena mais uma vez a resolução das Nações Unidas de julgar o Governo norte-coreano por «crimes contra a humanidade».

«Se o Conselho de Segurança está preocupado com a questão dos direitos humanos na República Popular da Coreia [nome oficial do país], mas fecha os olhos perante o grave problema dos Estados Unidos, vem demonstrar que se converteu numa ferramenta para as práticas arbitrárias norte-americanas», refere o texto.

O Senado norte-americano revelou na terça-feira um relatório sobre o modo da atuação da CIA, os serviços secretos norte-americanos.

Neste documento, os métodos utilizados nos interrogatórios da CIA (os serviços secretos dos Estados Unidos) depois do 11 de setembro foram considerados de grande «brutalidade» e «ineficazes».

O relatório faz saber que pelo menos 26 pessoas foram «erradamente» detidas e sujeitas a métodos de tortura numa prisão secreta. Mais, 39 dos detidos foram sujeitos a um método que visa a simulação de um afogamento e muitos prisioneiros foram privados de sono por mais de 180 horas.

A Comissão identificou ainda casos de ameaças de morte por parte dos agentes da CIA que visavam as famílias dos prisioneiros.  

Por causa da divulgação deste relatório, as instituições norte-americanas no mundo, como bases aéreas ou embaixadas, reforçaram a segurança com receio de ataques. 

«Um terrorista torturado não deve enfrentar pena de morte»

Outras reações foram conhecidas quase de imediato. Khalid Sheikh Mohammed, o autoproclamado arquiteto do atentado de 11 de setembro, não deveria enfrentar a pena de morte, defendeu na terça-feira o seu advogado, após as revelações de tortura do relatório divulgado pelo Senado norte-americano.

«Não é legal, humano ou justo executar uma pessoa depois de ter sido torturada», disse à AFP David Nevin.

Mohammed foi sujeito a 183 simulações de afogamento em prisões secretas da CIA - em março de 2003 foi sujeito a cinco destas sessões no espaço de 25 horas.