A Dinamarca criou um programa para reintegrar os combatentes jihadistas que regressem ao país. Acredita-se que pelo menos 100 dinamarqueses deixaram o país para lutar na Síria e no Iraque com o Estado Islâmico, mas se quiserem voltar a casa podem fazê-lo.

 

Qualquer jihadista que retorne à Dinamarca é elegível ao programa de reabilitação. O combatente retornado recebe ajuda na obtenção de um emprego, casa, educação e aconselhamento psicológico. Além disso deve ser investigado pela polícia e, se tiver cometido um crime, será levado a tribunal e possivelmente irá para a prisão.

 

Ainda é muito cedo para saber se o programa conseguirá cumprir os seus objetivos, mas a polícia dinamarquesa disse à BBC que, se o programa não existisse, os combatentes iriam simplesmente desaparecer em vez de regressarem ao país.

 

Além disso, o programa está pensado para ajudar, mas também para conseguir manter a vigilância sob os jihadistas. A ideia do programa, de adesão voluntária, é reintegrar as pessoas na sociedade, mas também prevenir o crime.

 

O programa dinamarquês contrasta com a abordagem do Reino Unido. Os combatentes que retornem à Grã-Bretanha, muitas vezes enfrentam a vigilância, acusações de terrorismo e anos de prisão.

 

A Grã-Bretanha está ainda a procurar medidas para impedir que os combatentes voltem para casa sob a Prevenção do Terrorismo e Medidas de Investigação. Essa ação é potenciada pelo medo de os regressados poderem realizar atividade terrorista em casa.

 

O exemplo de Omar

 

Aarhus, a segunda maior cidade dinamarquesa, já viu partirem 30 jovens. No entanto, 16 regressaram a casa. Omar é um deles e foi entrevistado pela CNN.

 

Quando Omar saiu de casa em 2013, os pais pensaram que o filho ia para um campo de refugiados ajudar as vítimas da guerra civil da Síria, mas o estudante dinamarquês não estava numa missão humanitária.

 

Omar, cujo nome foi alterado para ocultar a identidade, tinha-se juntado à luta jihadista para derrubar o presidente sírio, Bashar al-Assad. No entanto, apercebeu-se de que o que estava a assistir no campo de batalha era diferente do que tinha em mente quando se inscreveu.

 

«Havia caos entre os diferentes grupos e violência entre eles. Fui lá para lutar contra Bashar al-Assad e não para lutar contra outros grupos islâmicos», relatou Omar, com cerca de vinte anos, que decidiu voltar a casa por não querer fazer parte disso.

 

Omar contou que não estava nervoso em voltar para casa, pois, ao contrário de outros países, combater na Síria não é um crime na Dinamarca.

 

«Não é ilegal combater na Síria a menos que se faça parte de uma organização terrorista», explicou Omar. «Não foi nada de especial voltar e retomar a vida diária que tinha antes de partir», admitiu o jovem.

 

Omar conhece as pessoas que dirigem o programa reabilitação, mas não aderiu porque acha que não precisa de ajuda para se reintegrar na sociedade. No entanto, tem alguns amigos que aderiram ao programa e estão satisfeitos.

 

«O governo do Reino Unido trata as pessoas de uma forma dura, em comparação com a Dinamarca. Retiram-lhes os passaportes e invadem as suas casas, mandando alguns deles para a prisão», disse Omar, criticando a abordagem da Grã-Bretanha para os jihadistas retornados.