Duas famílias, suspeitas de quererem juntar-se ao Estado Islâmico, foram obrigadas por um tribunal britânico a usar pulseira eletrónica para poderem recuperar os filhos, entregues a orfanatos, escreve a BBC, nesta sexta-feira.
 
Numa decisão sem precedentes no Reino Unido, só possível devido à legislação antiterrorismo, e que mereceu, inclusive, a contestação do Ministério da Justiça, o juiz James Munby, o mais graduado da vara de Família da Alta Corte britânica, não hesitou em aplicar a medida de dissuasão.

No caso de suspeita de envolvimento em atividades terroristas, a justiça britânica pode restringir os movimentos dessas pessoas, no caso de fugirem com os filhos para um território controlado pelo Estado Islâmico, através do uso de pulseira eletrónica.

Estas duas famílias foram detidas no aeroporto no início do ano, uma em Manchester e outra na Turquia. Foram separadas dos filhos, que foram entregues a um orfanato.
 
Com a decisão agora conhecida poderão receber os filhos de volta assim que as pulseiras eletrónicas estiverem a funcionar.
 
O próprio Ministério da Justiça questionou a decisão “sem precedentes”, mas o juiz entendeu que “há risco de fuga”, embora pequeno, e que a medida era a mais adequada.

No final do ano haverá uma nova audiência, que determinará a entrega definitiva das crianças aos pais.