Quando um menino muçulmano escreveu, numa redação, que “viveu numa casa terrorista”, soaram as campainhas de alarme numa escola básica de Lancashire, no Reino Unido.

Ao abrigo da legislação anti-terrorista, os professores são obrigados a reportar às autoridades os casos suspeitos de terrorismo.

O menino de dez anos teve de prestar esclarecimentos na polícia. A família reclama agora um pedido de desculpas por parte da escola e da polícia, argumentando que a criança está “assustada”. Os familiares alegam que a criança queria escrever que “viveu numa casa com terraço” e não numa “casa terrorista”.

A BBC contactou o Conselho Muçulmano do Reino Unido, a maior organização muçulmana no país, que confirmou ter conhecimento de vários casos destes.

“Estamos muito preocupados que, à luz da questão de segurança, os estudantes estejam a ser vistos como terroristas”, disse Miqdaad Versi, da organização.
 
Não há dados oficiais sobre o número de crianças referenciadas ao abrigo desta medida anti-terrorista, mas a BBC sabe que, até outubro, estavam referenciados 1355 menores de 18 anos.