David Cameron está a ser acusado de inflamar o discurso anti-migrantes  e anti-refugiados, depois de escolher mal as palavras para se referir aos candidatos a asilo na União Europeia que estão no campo de Calai e lhes chamar “bando de migrantes”.
 
As palavras do primeiro-ministro britânico foram proferidas esta quarta-feira, na House of Commons, o Parlamento britânico, em resposta a Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista, que apelou à Grã-Bretanha para fazer mais para ajudar os refugiados nos campos franceses.
 
Referindo-se a Corbyn e ao também trabalhista John McDonnell, David Cameron foi contundente:
 

“A ideia de que esses dois honrados senhores se poderiam levantar por qualquer pessoa é risível. Olhemos para a sua atuação ao longo da última semana. Reuniram-se com os sindicatos e apoiaram-lhes a greve. Reuniram com os argentinos e deram-lhes as Malvinas. Reuniram com um bando de migrantes em Calais e disseram-lhes que podia vir toda a gente para a Grã-Bretanha. As únicas pessoas por quem nunca se levantam é pelo povo britânico, pelos contribuintes que trabalham no duro.”

 
As palavras de Cameron caíram mal junto dos trabalhistas da oposição, mas também junto dos seus apoiantes na Câmara dos Comuns, que normalmente lhe aplaudem cada palavra.  Mas a expressão “bando de migrantes” provocou borburinho e perplexidade junto da generalidade dos membros do Parlamento, que se manifestaram em choque com a escolha de vocabulário do primeiro-ministro.
 
A ministra Anna Soubry disse, em declarações à BBC, que estava “certa” que David Cameron quis dizer outra coisa qualquer. “Tenho a certeza que ele quis dizer grupo, mas todos usamos calão”, disse.
 

“Não vou criticar o primeiro-ministro. Sei que quando estamos debaixo de fogo no Parlamento, com todo aquele borburinho à nossa volta, todos podemos cair na tentação de usar uma palavra que pode ser mal interpretada.”