Uma enfermeira britânica que foi curada do vírus do Ébola em janeiro está em estado crítico devido a um reaparecimento do vírus. Pauline Cafferkey foi internada no Hospital Royal Free do Reino Unido na semana passada e o seu estado de saúde piorou, segundo revelou a própria unidade esta quarta-feira.

“É com tristeza que anunciamos que o estado de Pauline Cafferkey deteriorou-se e ela está agora em estado crítico. Pauline está a ser tratada por causa do vírus do Ébola numa unidade de alto isolamento no hospital.”


Cafferkey sentiu-se mal na semana passada. Deu entrada no Hospital de Glasgow, na Escócia, onde reside, mas acabou por ser transferida para o Royal Free, em Londres, o único hospital do Reino Unido com uma ala de isolamento especial. Um local onde, de resto, a enfermeira já tinha sido internada, durante um mês, em dezembro do ano passado.

Apesar de existirem relatos de casos em que o vírus permanece em certas partes do corpo dos sobreviventes, como os olhos, por exemplo, este é o primeiro caso conhecido de um reaparecimento do vírus que coloca em risco a vida do doente. É possível, no entanto, que o mesmo já tenha acontecido com outros sobrevivente em África, sem que isso se tenha tornado conhecido.

As complicações de Cafferkey apanharam os médicos britânicos de surpresa, até por já terem passado vários meses desde que o tratamento foi aplicado, com sucesso.

A enfermeira foi diagnosticada com o vírus do Ébola em dezembro do ano passado depois de ter estado na Serra Leoa. Durante quase um mês permaneceu internada na ala de isolamento do Royal Free, onde foi submetida a um tratamento inovador que implicou um medicamento experimental e o sangue de outros sobreviventes da doença.

Entretanto, com o reaparecimento do vírus, as autoridades de saúde começaram a monitorizar 58 pessoas que estiveram em contato muito próximo com a enfermeira. Entre estas, há 40 que tiveram contato direto com os seus fluídos corporais – a forma de transmissão do vírus – e destas 25 estão a ser vacinadas. As restantes recusaram as vacinas por livre vontade ou por estarem sujeitas a condições médicas especiais.