Duas mulheres convenceram o Supremo Tribunal do Reino Unido de que deviam ter recebido mais dinheiro nos acordos de divórcio, alegando que os ex-maridos omitiram o real valor das suas fortunas na altura da decisão judicial, noticia a BBC.

Alison Sharland, que tinha aceitado 10 milhões de libras (13,5 milhões de euros) em 2010, pensando estar a receber quase metade da fortuna do pai dos seus filhos, e Varsha Gohil, que recebeu 270 mil libras (365 mil euros) em 2002, alegaram em tribunal que os ex-maridos esconderam a real extensão das suas fortunas quando os acordos foram selados em tribunal.
 
No primeiro caso, a fortuna estava avaliada em 600 milhões de libras, enquanto no segundo, apesar de o valor não ter sido revelado, o ex-marido de Varsha Gohil foi condenado, em 2010, a dez anos de prisão por lavagem de dinheiro.

A defesa do ex-marido de Alison Sharland, empresário no ramo do software, alega que esta decisão “pode abrir a porta” a milhares de casos.
 
A BBC escreve que esta é uma “decisão incrivelmente significativa” e que assenta no princípio de que a divisão de bens tem de assentar num acordo válido. “Se uma das partes é desonesta, então este é um claro sinal de que a outra parte pode voltar a tribunal e negociar tudo outra vez”, argumenta a cadeia britânica.

Para as duas mulheres a decisão de voltar a tribunal não assentou numa questão monetária e sim de princípio.

O Supremo remeteu novamente as duas queixas para o Tribunal Superior (equivalente em Portugal à Primeira Instância).