Nessas cartas, apelidadas de memorandos da “aranha negra”, devido à caligrafia do filho da rainha Isabel II, é possível verificar a influência política que o herdeiro do trono britânico foi exercendo em assuntos tão diferentes como a presença de tropas no Iraque ou o abate de texugos.

 

Carlos reagiu à divulgação das cartas em comunicado, defendendo que estas mostram a sua “preocupação” com assuntos de “interesse público”.

 

“O Príncipe de Gales preocupa-se profundamente com o seu país e tenta usar a sua posição única para ajudar os outros. As cartas mostram-no a expressar preocupação com assuntos que ele abordou em público. Em todos os casos, o Príncipe de Gales estava a levantar questões de interesse público e a tentar encontrar formas práticas de as abordar”.

O governo lutou contra o “The Guardian” em tribunal durante 10 anos, alegando que a divulgação destas cartas iria pôr precisamente em causa a neutralidade política do futuro rei, tal como é exigido a todos os membros da família real pela Constituição britânica.

 

Os media britânicos estão a destacar sobretudo uma carta do príncipe Carlos para o primeiro-ministro na altura, Tony Blair, escrita em 2004, na qual o herdeiro ao trono sugere a aquisição de novos helicópteros.

 

“Temo que este seja apenas mais um exemplo de que as nossas Forças Armadas estão a ser obrigadas a fazer um trabalho extremamente desafiante (particularmente no Iraque) sem os recursos necessários.”