A Oxfam, organização solidária britânica sem fins lucrativos, está no centro da polémica depois de terem vindo a público revelações comprometedoras que envolvem os próprios funcionários e dirigentes. 

Em causa estão acusações de que os trabalhadores da instituição terão contratado prostitutas e organizado orgias durante as missões humanitárias no Haiti, depois do terramoto de 2010, com o dinheiro da Oxfam.

No entanto, o governo britânico apenas teve conhecimento destas acusações, este ano, através da comunicação social local. 

Segundo o The Times, que "lançou a bomba", algumas mulheres foram contratadas, pelo então diretor de operações no Haiti, Roland van Hauwermeiren, com dinheiro da organização, sendo que algumas delas seriam menores de idade.

Mas, para além de todas as consequências que estas revelações por si só já implicam, a situação torna-se mais grave pelos próprios dirigentes da Oxfam ter tido conhecimento do caso.

Penny Lawrence, ex-vice-directora da organização, admitiu que a Oxfam recebeu queixas sobre eventuais comportamentos inapropriados por parte de alguns trabalhadores - antes destes serem enviados para o país - e que, mesmo assim, não tomou as medidas adequadas.

Perante o escândalo, Lawrence anunciou a sua demissão e emitiu um comunicado onde revela sentir "vergonha" por ter deixado que isto acontecesse, pedindo desculpa ao governo e à própria população do Haiti. 

É com profunda tristeza que anuncio que me demiti do cargo de vice-diretora executiva da Oxfam. Sinto-me envergonhada por isto ter acontecido sob a minha liderança e assumo toda a responsabilidade.”

Num outro comunicado feito no site oficial da organização, a nova diretora do conselho da Oxfam, Caroline Thomson, afirmou que pretende esclarecer estas acusações com o máximo de urgência e prometeu adotar medidas rigorosas para o tratamento deste caso em particular mas, também, de outros eventuais que possam surgir.