Uma onda de choque do referendo que aprovou o Brexit provoca agora uma derrota esmagadora para o líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, com 172 dos 229 deputados eleitos a exigirem a sua demissão. Apenas 40 aprovaram o voto de confiança, havendo quatro abstenções e 13 outros parlamentares que não votaram.

Confrontado com a votação e com a exigência do seu afastamento, Corbyn, que defendeu a manutenção do Reino Unido na União Europeia, já rejeitou a hipótese de demissão, após a reunião na tarde de terça-feira entre os deputados trabalhistas britânicos.

Fui democraticamente eleito líder do nosso partido para um novo tipo de políticas por 60% dos militantes e apoiantes trabalhistas. Não os irei trair, resignando. Os votos de hoje dos deputados não têm legitimidade constitucional”, declarou Corbyn após a votação, citado pelo jornal The Guardian.

Uma guerra pelo “trono”

A decisão de não se demitir após a esmagadora rejeição da moção de confiança entre os deputados trabalhistas provocou também reações entre os pretendentes à liderança do Partido Trabalhista, o maior da oposição britânica.

Ainda a viver sob os efeitos do Brexit, que levaram à demissão do primeiro-ministro e líder conservador, David Cameron, na oposição trabalhista vive-se uma autêntica “contagem de espingardas” para disputar a liderança de Corbyn.

Na linha da frente, Yvette Cooper, que perdeu para Corbyn a corrida para a chefia trabalhista no ano passado, considera haver “um vazio político quando a liderança política é mais necessária.

Estamos sem um plano porque as políticas falharam. Sem governo alternativo, sem plano alternativo”, referiu Yvette Cooper, citada pelo The Guardian.