No dia de todas as decisões, Londres e a região do sudeste de Inglaterra acordaram muito cinzentas, depois de chuvas fortes e trovoadas. O referendo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia realiza-se nesta quinta-feira e há já quem receie que as condições meteorológicas prejudiquem a afluência às urnas.

A agência meteorológicas emitiu sete avisos vermelhos por causa da possibilidade de cheias. E os bombeiros de Londres já receberam 550 chamadas e verificaram 400 incidentes.

Na capital britânica, há registo de várias inundações que estão a afetar a circulação dos automóveis e a dos transportes públicos. Algumas estações do metro, como a estação de Monument, foram encerradas e algumas linhas, como a linha circular, suspensas. A circulação de comboios está igualmente a registar dificuldades.  

O cenário não é, portanto, o melhor para os cidadãos que hoje são chamados a votar e a escolher: a permanência ou a saída do Reino Unido na União Europeia. E há já quem receie que o tempo afaste as pessoas das urnas.

 

 

 

A meteorologia não parece ter incomodado David Cameron, que votou em Londres logo pela manhã. Acompanhado da mulher, Samantha, o primeiro-ministro, que quer ficar na UE, mostrou-se sorridente após a votação.

Quem também votou cedo na capital britânica foi o líder dos Trabalhistas, Jeremy Corbyn, que, tal como o chefe do Governo conservador, defende o “remain” (ficar).

Já o líder do partido eurocético UKIP, Nigel Farage, que quer o "leave" (partir), votou em Kent.

Na Escócia, e ao contrário do que se verificou no sul de Inglaterra, a manhã ergueu-se com um sol luminoso. A primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon, que apela à permanência na UE, também já votou, em Glasgow. 

Últimas sondagens dão vantagem à permanência na UE

Entretanto, foram divulgadas as últimas sondagens sobre a consulta popular que dão vantagem ao "remain", ou seja, à permanência na UE.

Uma foi realizada pela empresa Ipsos Mori para o Evening Standard e indica que 52% dos eleitores vai votar para ficar na comunidade europeia, enquanto que 48% vai votar pela saída. Esta sondagem revela outros dados interessantes. 

Na semana passada, uma sondagem realizada pela mesma empresa dava vantagem ao "Brexit", indicando que os britânicos estavam mais preocupados com as questões relacionadas com a imigração (33% dos inquiridos) do que com as de ordem económica. Mas esta última sondagem, ainda que continue a ter esta matéria no topo das preocupações dos eleitores (32% dos inquiridos), evidencia que os cidadãos estão também apreensivos relativamente às consequência da saída da UE na economia (31%).

Há ainda outro ponto a destacar: 68% dos eleitores que apoiam o Partido Trabalhista vai votar para ficar na UE e apenas 43% dos que votaram no Partido Conservador - o do Governo de David Cameron - tencionam escolher essa opção.

Uma segunda sondagem, desta vez realizada online pela Populus, dá 55% dos votos à permanência na UE e 47% à saída. O inquérito envolveu 4.700 pessoas e foi realizado entre terça e quarta-feira.

As urnas abriram às 07:00 e fecham às 22:00, mas ao contrário do que acontece na maioria das eleições, as televisões não irão fazer sondagens à boca das urnas. Algumas, como a Sky News, vão apresentar resultados de inquéritos que, no entanto, não podem ser tratados como projeções. 

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