“Não posso enviar-te esta carta, pois não sei sequer o teu nome. Sei apenas que foste acusado de agressão sexual agravada e ataque de natureza violenta prolongado. E tenho apenas uma questão.”

“Quando foste apanhado pelas câmaras de segurança a perseguir-me no meu bairro, quando esperaste que eu chegasse à minha rua para me abordar, quando me tapaste a cara com a mão fazendo com que eu não conseguisse respirar, quando me obrigaste a ficar deitada no chão com a cara a sangrar, quando lutei para tentar gritar.”

“Quando me puxaste o cabelo, quando tentaste esmagar a minha cabeça contra o passeio e disseste para eu parar de gritar, quando a minha vizinha te viu, começou a gritar e tu olhaste para ela e continuaste a bater-me!”

“Quando partiste o meu soutien ao meio com a força com que estavas a apertar os meus seios, quando não conseguiste chegar à minha mala porque o teu interesse era o meu corpo, quando não conseguiste o que querias porque a minha família e vizinhos vieram todos para a rua e os viste… Alguma vez pensaste nas pessoas que fazem parte da tua vida?”

“A minha vizinhança não se vai sentir insegura ao voltar para casa à noite. Vamos apanhar o último metro para casa e vamos andar sozinhos na rua, porque não vamos meter na cabeça que estamos em perigo ao fazê-lo (…) Subestimaste a minha comunidade. Ou devo dizer a tua?  Eu podia dizer ‘Imagina que era alguém da tua comunidade’, mas em vez disso, deixa-me dizer o seguinte. Não existem barreiras entre as comunidades; Só existem exceções e tu és uma delas."


"Esperava que escrever esta carta fosse não só para mim, mas para todos. Para que outras vítimas de outras comunidades sintam que alguém as está a defender", disse Ione Wells à BBC.


Sem culpa






"Fico feliz que algo tão inquietante e doloroso se tenha transformado em algo que me desperta sentimentos positivos", afirmou.




"A todos da comunidade #NotGuilty – MUITO OBRIGADA. Lembrem-se que o meu caso é apenas um de muitos, muitos outros. Há muito mais pelo que lutar!"