O rei de Espanha Felipe VI foi recebido com honras militares em frente ao Congresso de Deputados, onde entrou, pela Porta dos Leões, para ser proclamado perante as Cortes Gerais na chefia de Estado espanhola.

Escoltados por motas da Guarda Real, Felipe VI e Letizia chegaram à Carrera de San Jerónimo num Rolls Royce do Património Nacional espanhol, tendo feito a pé os últimos metros até à entrada principal, onde foi instalada uma coberta de pano, com o escudo da Casa Real.

À saída do carro, Felipe, Letizia e as duas filhas foram saudadas pelo presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy, antes de se ouvir o hino de Espanha, com Filipe VI em continência e a rainha num pequeno estrado vermelho.

As honras militares do batalhão de honra decorriam enquanto na rua se ouviam muitos vivas ao novo rei, aplausos, mas também criticas à monarquia, com alguns cidadãos a protestarem contra a cerimónia desta quinta-feira.

O rei passou revista às tropas dos três exércitos (Terra, Mar e Ar) que, desde quinta-feira, comanda como chefe de Estado, e da Guarda Civil, acompanhado do chefe de Estado Maior da Defesa e do chefe do Quarto Militar da Casa Real.

Depois, a pé, caminhou com a sua família e, com sorrisos e saudações, cumprimentou os muitos espanhóis presentes: «Felipe, Felipe», ouvia-se.

Depois, na entrada principal do Congresso, Felipe VI foi esperado pelos presidentes do Congresso e do Senado, Jesus Posada e Pio Garcia Escudero, tendo finalmente entrado no edifício do Congresso onde decorre a sessão histórica conjunta das duas câmaras, Congresso e Senado, das Cortes Gerais espanholas.

A curta Carrera de San Jerónimo, onde está o Congresso, está dominada por militares, efetivos de segurança e dezenas de jornalistas, com alguns cidadãos, bandeiras espanholas nas mãos, a acompanhar os atos oficiais.

Felipe VI é rei de Espanha desde pouco depois das 00:00 de hoje, depois da publicação no Boletim Oficial de Estado (BOE) da lei de abdicação de Juan Carlos, que marca o fim do seu reinado.

A entrada em vigor desta lei, lê-se no BOE, «determina, em consequência, que a abdicação faça sentir todos os seus efeitos e que se produza a sucessão na Coroa de Espanha, de forma automática, seguindo a ordem prevista na Constituição».

A carta magna, de 1978, determina que a Coroa é hereditária nos sucessores de Juan Carlos I de Borbón, a entrada em vigor implica que com o fim do reinado de Juan Carlos começa, de forma imediata, o reinado de Felipe VI, seu filho.

No entanto, visto que em Espanha um novo rei não é nem coroado nem entronizado, Felipe VI terá, em vez disso, que prestar juramento e ser proclamado.

Filipe VI prestará um juramento previsto na carta magna, comprometendo-se a «desempenhar fielmente as suas funções, guardar e fazer guardar a Constituição e as lei e respeitar os direitos dos cidadãos e das Comunidades Autónomas».

O juramento vai ser feito no edifício do Congresso de Deputados, onde decorrerá uma sessão histórica conjunta das duas câmaras das Cortes, Congresso e Senado.

Ao contrário do que aconteceu durante o juramento de Juan Carlos, que jurou com a mão sob uma bíblia e ao lado de um crucifixo, não haverá qualquer símbolo religioso na cerimónia de proclamação de Felipe VI.