A fotógrafa que captou a imagem da criança síria morta numa praia da Turquia revelou que quando viu o corpo de Aylan Kurdi ficou com o sangue “congelado”. Nilufer Demir, de 29 anos, descreveu à agência de notícias Dogan, para a qual trabalha, o momento em que tirou a imagem chocante que correu o mundo e que já se tornou num símbolo da tragédia que afeta os milhares de migrantes e refugiados que tentam chegar à Europa.
 

“Quando vi Aylan Kurdi o meu sangue congelou. Mas não havia nada a fazer. Estava ali um cadáver com uma camisola vermelha levantada e umas calças azuis. Não havia nada que pudesse fazer por ele. Sabia-o pela ausência de qualquer grito.”

 
Por isso, a fotógrafa turca afirmou que só lhe restava uma coisa: captar a imagem trágica que tinha à sua frente.
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“A única coisa que podia fazer era pressionar o botão do obturador e tirar a fotografia nesse momento.”
 
O que sentiu? "Dor e tristeza." No entanto, Demir frisou que o seu trabalho é precisamente retratar casos dramáticos como este.
 

“Antes de apertar o botão senti uma grande dor e tristeza. Depois, tínhamos que mostrar aquele drama. O meu trabalho é tirar boas fotografias e fazê-lo o melhor que possa.”

 
A fotógrafa turca trabalha com a agência de notícias Dogan desde 2003. Nesta entrevista, afirmou que já fotografou inúmeros incidentes com imigrantes, sublinhando que situações dramáticas como esta existem "há muito tempo". Por isso, espera que esta fotografia possa mudar “o curso das coisas”. 

"Gostava que a minha fotografia ajudasse a mudar o curso das coisas."