Foi chegar a Estugarda... E seguir viagem para um campo de refugiados, quando apenas pretendia passar umas férias em Itália. Azar do azares, ou falta de senso, conta a imprensa europeia, que o cidadão chinês em má hora perdeu uma mochila no voo que o levou até à Alemanha.

Quando ia trocar de avião no aeroporto de Estugarda quis pedir ajuda aos polícias. Mas por não falar Inglês e muito menos Alemão, em vez de assinar um formulário de roubo, assinou um pedido de asilo.

Competentíssimas, as autoridades alemãs deram guia de marcha ao pedido.

Refugiado a pedido, mas sem o querer

Depois do engano com os formulários, o chinês, descrito pela polícia alemã como “bem vestido”, foi levado para o centro de receção a migrantes na cidade de Heidelberg.

Aí tiraram-lhe o passaporte e deram-lhe documentos de refugiado. Com esses novos papéis, o turista e refugiado à força, foi transportado para Dusseldorf, no ocidente da Alemanha, e de seguida para a cidade Dülmen.

Fizeram-lhe exames médicos, fez o registo das impressões digitais e até recebeu algum dinheiro dado pelos responsáveis do campo de refugiados.

O jornal inglês The Telegraph avança que o primeiro alerta para um possível engano foi dado por um funcionário da Cruz Vermelha alemã no campo de refugiados de Dülmen.

Apenas porque se lembrou de ir perceber o que se passava com o tal refugiado chinês, num regime de fast-food. E quem tem boca, já se sabe...

Salvo pelo restaurante

Christoph, membro da Cruz vermelha local, foi até um restaurante de comida chinesa nas imediações do campo. Estava intrigado com o estranho refugiado que falava, muito, e ninguém realmente o entendia.

No restaurante chinês não conseguiu um tradutor "à la carte", mas a indicação para usar uma aplicação de telemóvel com tradução automática.

Ele agia de maneira tão diferente dos outros refugiados. Tentava contar a sua história, mas ninguém o entendia. Estava sempre a pressionar para que o passaporte lhe fosse devolvido, o que é o oposto do que os outros refugiados fazem”, disse mais tarde o funcionário ao jornal alemão Dülmener Zeitung.

Foi aí que Christoph Schlütermann resolveu testar a aplicação no telemóvel. E aí percebeu que o chinês, refugiado à força, apenas dizia querer chegar a Itália.

Eu falei em alemão para a aplicação e o telemóvel traduziu para mandarim. Mas quando recebi a resposta, fiquei curioso por ele dizer ‘quero ir para Itália’”, afirmou Schlütermann.

Depois de doze dias na Alemanha, o turista chinês lá foi autorizado a viajar para França e daí para o destino desejado: Itália.

Não formalizou nenhuma queixa em relação aos procedimentos das autoridades alemãs. Disse apenas, ao fim da novela em que foi protagonista, que “isto não é a Europa que imaginava”.