O chefe do partido neonazi grego Aurora Dourada, Nikos Michaloliakos, apelou hoje ao “encerramento das fronteiras” para “impedir os estrangeiros de entrar no país”, durante um comício eleitoral a quatro dias das eleições legislativas na Grécia.

“É preciso que a Grécia deixe de acolher os estrangeiros e que os reenvie para a sua pátria”, afirmou, perante cerca de 500 participantes na reunião eleitoral, que agitavam bandeiras gregas, frente a uma delegação do partido num bairro ateniense que tem uma forte presença de imigrantes.


Nikos Michaloliakos sublinhou que escolheu o local do comício por ser um sítio “onde os gregos têm medo de circular”.

Afluxo de migrantes à Grécia é problema de toda a Europa


A deputada do partido conservador grego Nova Democracia Niki Kerameus defendeu hoje em declarações à Lusa que a chegada em massa de migrantes à Grécia é um problema que deve ser partilhado por todos os países europeus.

“A questão dos migrantes que chegam à Grécia não pode ser vista como um problema grego, ultrapassa a Grécia e é um problema que a Europa tem de enfrentar como um todo”, afirmou Niki Kerameus, que antes de ser deputada fundou uma ONG destinada a ajudar cidadãos gregos atingidos pela crise económica, mas que já está também a fornecer ajuda a migrantes que chegam ao país, nomeadamente nas ilhas de Kos e Lesbos.

A deputada do ND, partido que disputa a vitória nas eleições antecipadas na Grécia que se realizam no domingo, insistiu que deverá haver um envolvimento direto dos países europeus no processo de acolhimento registo e encaminhamento de migrantes que chegam à Grécia e a Itália e não apenas limitarem-se a ajudar financeiramente e a receber aqueles que obtêm o estatuto de refugiado.

“É injusto que a Grécia e a Itália estejam a ser desproporcionadamente sobrecarregadas com o fluxo de migrantes. A Europa no seu todo tem de começar a ter um papel mais ativo”, afirmou.

Defendendo que fechar fronteiras não é a solução, “não resolve nada, apenas atira o problema para os vizinhos”, Niki Kerameus afirma que “o conjunto dos países europeus deveria fazer parte da primeira linha de impacto dos fluxos de migrantes. Todos os países europeus devem assumir uma parte da responsabilidade de receber e acomodar os migrantes”.

E estando a Grécia em campanha eleitoral, Kerameus não deixou de atribuir responsabilidades ao rival eleitoral do ND, o partido de esquerda Syriza, que esteve no poder entre janeiro e agosto.

“O Syriza transmitiu as mensagens erradas. Durante a campanha no início do ano defendeu uma política de fronteiras abertas, dizendo que todos poderiam entrar na europa através da Grécia. Isso explica em parte o porquê de as chegadas de migrantes à Grécia terem aumentado 1.765% nos últimos seis meses, em relação ao ano passado, enquanto o aumento em Itália foi de apenas entre 30% e 40%”, acusou.

Condenou também o Governo do Syriza por incapacidade de gerir o fluxo de chegadas de migrantes ao não criar infraestruturas de acolhimento, registo e encaminhamento e por não ter tido capacidade de mobilizar fundos colocados à disposição pela Comissão Europeia, para ajudar a construir infraestruturas de acolhimento e sistemas de registo e encaminhamento de migrantes.