Mais de 2.760 migrantes morreram este ano na tentativa de atravessar o mar Mediterrâneo, indicou esta terça-feira a Organização Internacional das Migrações. O balanço mostra que são mais 500 do que em igual período do ano passado,

Só nos primeiros quatro dias de setembro, 58 migrantes morreram a tentar alcançar as costas europeias.

Do número total de vítimas, 2.630 morreram na travessia iniciada nas costas da Líbia e da Tunísia, 150 na travessia entre a Turquia e a Grécia, e 25 no estreito de Gibraltar, cita a Lusa.

A Agência da ONU para os Refugiados, da qual António Guterres  é ainda o alto-comissário, advertiu também hoje que a Europa tem de passar das palavras às ações e acolher 200.000 refugiados, defendendo que não pode haver apenas “uma solução alemã para um problema europeu”. 

Um número recorde de 7.000 sírios chegou à Macedónia na segunda-feira, enquanto cerca de 30.000 estão nas ilhas gregas, a  maioria (20.000) em Lesbos e mais de 4.500 em Kos. 

"Parece que durante o fim de semana o número de chegadas à Grécia aumentou e depois diminuiu", afirmou Melissa Fleming, acrescentando que "alguns milhares" de refugiados entram na Grécia todos os dias. 

As Nações Unidas defendem a criação de mais centros de acolhimento, nomeadamente na Hungria e Grécia, e, apesar de aplaudirem a disponibilização do  Reino Unido e da  França para acolherem refugiados, pedem com urgência a  implementação de um sistema de recolocação para os 200 mil refugiados que neste momento procuram asilo na Europa. 
  
“Os centros de acolhimento de refugiados só podem funcionar se estiver implementado um sistema de recolocação de refugiados, em que os países europeus digam quantas pessoas vão receber. Acreditamos que precisam de ser recolocadas na Europa cerca de 200.000 pessoas”, sustentou a responsável. 

A ACNUR estima que o número de refugiados a chegar à Europa através do Mediterrâneo "possa chegar aos 400.000 em 2015" e "450.000 ou mais em 2016".