A Ilha de Lesbos na Grécia, conhecida como a “porta de entrada para a Europa” de milhares de refugiados, já não tem mais espaço para enterrar os mortos. Este ano a travessia do Mediterrânio já roubou a vida a milhares de pessoas. Homens, mulheres e crianças.

Morrem afogados, na busca por um futuro melhor, em que arriscam tudo. Pagam milhares de euros a traficantes, mas a vida acaba para muitos, por ser o preço mais alto da viagem.

Spyros Galinos, presidente da autarquia de Lesbos, já não tem locais para enterrar os mortos. Há dezenas de corpos acumulados na morgue à espera de uma última morada, explicou a NBC News:
 

“Ontem tivemos cinco funerais, mas ainda estão 55 corpos na morgue. Quem poderia antecipar uma carnificina tão grande no mar Egeu?”


A chegada do mau tempo não diminuiu em nada o fluxo de refugiados e migrantes. Na verdade, Spyros Galinos considera que “é uma sorte” sobreviver a uma travessia nas atuais condições atmosféricas.

As autoridades esperavam uma diminuição das viagens a partir de outubro, mas esta não se verificou. Pelo contrário.

Outubro foi, de resto, um mês recorde na travessia de migrantes pelo Mediterrâneo. O Alto Comissariado da Organização das Nações Unidas para os Refugiados revelou esta semana que 218 mil pessoas correram esse risco em busca de uma vida melhor. Um número que corresponde ao total de 2014 nesta região.
 

“O medo de que a Europa feche as fronteiras” é maior que o medo de enfrentar o mar de inverno, afirmou à NBC News Kathryn Sokol, a coordenadora do Comité Internacional de Emergência em Lesbos.


Só este ano já morreram, ou foram dadas como desaparecidas, 3,440 pessoas na travessia do Mediterrâneo. Só no passado fim de semana, pelo menos 23 refugiados perderam a vida. Muitos deles eram crianças.



Entretanto, a Comissão Europeia também já fez saber que vai disponibilizar 62 milhões de euros para ajudar os refugiados originários da Síria e que tenham sido obrigados a sair do país por causa da guerra civil. A este financiamento somam-se 43 milhões de euros destinados a ajudar o Líbano e 28 milhões para a Jordânia.