Um responsável da Comunidade de Santo Egídio disse à Lusa em Lisboa que a organização católica vai prestar auxílio a migrantes através da atribuição de “vistos humanitários” em Marrocos, Egipto, Etiópia e junto de refugiados sírios no Líbano.

Marco Implagiazzo, responsável internacional da organização católica com ligações ao Vaticano disse que o governo italiano aceitou a proposta da Comunidade de Santo Egídio sobre as migrações aceitando iniciar um processo de atribuição de vistos.

“É um trabalho que desenvolvemos com a Federação das Igrejas Evangélicas de Itália, com fundos do Estado e com vistos cedidos por Itália. Vamos começar numa escala pequena para confirmarmos se o sistema funciona. É uma oportunidade para que seja evitada a ‘viagem da morte’”, explicou Implagiazzo adiantando que o primeiro gabinete humanitário vai ser instalado em Marrocos, para apoio aos migrantes da África subsaariana.

Trata-se da concessão de vistos atribuídos “por motivos humanitários” sendo que a Comunidade de Santo Egídio pretende depois abrir gabinetes também no Egito, Etiópia e no Líbano, destinados a refugiados da guerra da Síria.

“Propusemos a criação em alguns países como Marrocos, Egipto, Etiópia e Líbano de pontos onde os refugiados possam receber documentos de viagem (vistos) por motivos humanitários. É uma ideia importante que propusemos na Europa. Vamos começar com o governo italiano que aceitou a proposta para que sejam evitadas as perigosas viagens”, acrescentou Implagiazzo.

“Já contactamos o governo espanhol, para que se faça a mesma coisa, mas em Espanha há eleições”, disse ainda sobre a possibilidade do alargamento da proposta sobre os vistos, admitindo contactos com o governo português.

“É preciso esperar pelas eleições”, disse referindo-se aos processos eleitorais em Portugal e Espanha.

O responsável explicou que a Comunidade de Santo Egídio tem lugares de acolhimento em vários pontos da Europa, “por exemplo na Hungria”, destinados aos migrantes, fornecendo igualmente informação aos húngaros sobre a importância da integração porque, sublinha, o acolhimento em solo europeu é “incontornável”.

A Comunidade de Santo Egídio está presente em mais de 70 países.

Em Portugal, o responsável pela organização vai encontrar-se com o cardeal patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, e tem previstas visitas a membros da comunidade na capital portuguesa e na cidade do Porto.

“São comunidades de jovens portugueses muito empenhados na ajuda a crianças com problemas. São momentos de educação dedicados à paz e às relações multiculturais, tal como se verifica na sociedade lisboeta. Os jovens dedicam-se também junto daqueles que ficam sós nos últimos anos de vida em instituições longe das famílias”, acrescentou Implagiazzo.