O académico e ex-líder do CDS Adriano Moreira defendeu esta quarta-feira em Lisboa que "a Europa entrou neste século sem bússola" e que "o mau governo é a primeira causa de miséria em qualquer região do mundo".

O académico, que falava na sessão de apresentação do livro "Novo Êxodo Português - Causas e Soluções", da autoria de Pedro Teixeira, um engenheiro civil emigrado no Qatar, e editado pela Vida Económica, sustentou que "uma das causas da emigração, que o mau governo fez explodir, foi a quebra da paz".

"As grandes potências ocidentais esqueceram-se de uma regra de prudência governativa: de entre dois males, deve escolher-se o mal menor", frisou, dando como exemplo a atual situação do Iraque, "que vai de mal a pior e talvez estivesse melhor sob o governo de um ditador que foi enforcado", Saddam Hussein.

Outro caso de "mau governo", indicou, foi "a intervenção internacional no Afeganistão", bem como todas as decisões que originaram conflitos, elevando a tais níveis o medo que as pessoas optaram por abandonar as suas casas, os seus países, para sobreviverem.

"O medo fê-las empreenderem viagens a pé de milhares de quilómetros, mesmo com crianças pequenas, num extraordinário fenómeno de resistência humana", observou.

"Atualmente, este problema das migrações deve ser analisado em dois planos: primeiro, era preciso que a situação internacional fosse normal, e não é, há um estado de guerra em toda a parte", com o qual lucram a indústria de armamento e também "as organizações criminosas de tráfico de pessoas, que transformaram o Mediterrâneo num cemitério".

O segundo plano é que "o receio [nos países de acolhimento das correntes migratórias] é anterior à atual situação internacional e deu origem a situações de discriminação salarial e social e ao surgimento de partidos nacionalistas que estão a concorrer ao Parlamento Europeu", apontou.

"Naturalmente, voltar à paz total vai dar trabalho, e só acontece se organizarmos a origem do problema, os países de origem", o que implica "um apelo imenso ao sentimento de humanidade e à responsabilidade de cada um de nós", argumentou.

Para Adriano Moreira, falta, para solucionar "esta desgraça em que o mundo está, encontrar vozes encantatórias como as que apareceram no final da Segunda Guerra Mundial, que fizeram com que a Europa se reconstruísse sem que houvesse retaliações".