Há contabilizações diferentes sobre a manifestação que decorreu esta segunda-feira, em Barcelona, pelo referendo à independência, que o parlamento da Catalunha aprovou para se realizar a 1 de outubro, e que o Tribunal Constitucional de Espanha decidiu suspender. Mas há uma certeza: foram milhares e milhares de pessoas: 350.000 é o número mínimo que se fala; há quem diga que foram um milhão a entupir as ruas da capital da Catalunha.

  • 350.000 manifestantes, segundo o Governo
  • cerca de 1 milhão, segundo a polícia de Barcelona
  • mais de 1 milhão, segundo a Assembleia Nacional Catalã
  • cerca de 500.000, segundo o El País

A Assembleia Nacional Catalã assegura que vendeu mais de 300.000 camisolas para este protesto e que se inscreveram meio de milhão de pessoas. Há seis anos que a Diada, como é conhecido este dia 11 de setembro, que assinala a conquista de Barcelona pelo rei de Espanha Filipe V, em 1714, é sinónimo de manifestações a favor da independência da Catalunha. 

"Referendo é democracia" é uma das palavras de ordem que se podem ler nas quatro telas gigantes que cruzaram as ruas, do Paseo de Gràcia à rua de Aragón, no coração de Barcelona. Tal como outros ditos "Paz e liberdade" ou simplesmente "Sí", o voto sim no referendo, e escrito em vários idiomas. E pessoas de todas as idades, famílias inteiras de três gerações, segundo a reportagem do El País.

A manifestação, que foi pacífica, contou com o presidente da Generalitat (Governo da Catalunha), Carles Puigdemont, praticamente todos os conselheiros do seu governo, a presidente do parlamento, Carme Forcadell, líderes independentistas, deputados do parlamento e do congresso. 

Os catalães não esqueceram o atentado que ocorreu em agosto em Barcelona e Cambrils, pelo que o protesto se iniciou com um minuto de silêncio em memória das vítimas, ao mesmo tempo que se fizeram homenagens aos Mossos d'Esquadra (a polícia de Barcelona), bem como aos serviços de emergência.

Foi há quatro dias que o Tribunal Constitucional espanhol suspendeu a lei aprovada na última quarta-feira pelo Parlamento da Catalunha que permitia a realização, no dia 1 outubro, do  referendo independentista.

O Tribunal reuniu-se de emergência para apreciar o "incidente de execução" apresentado pelo governo de Mariano Rajoy contra as decisões do Parlamento catalão. A lei vai manter-se suspensa enquanto os juízes analisam as queixas de que viola a Constituição de Espanha.

O diploma do governo que abre uma grave crise com o poder central.

Os independentistas reclamam há muito tempo um referendo sobre a independência da Catalunha, em moldes semelhantes aos que foram realizados em Quebec (Canadá) e Escócia (Reino Unido).

Em 2014, os independentistas organizaram uma "consulta simbólica" sob a forma de referendo não vinculativo na Catalunha, em que participaram 2,3 milhões de pessoas, oitenta por cento das quais se pronunciaram pela independência.