O governo suíço apelou aos seus cidadãos para que rejeitem a medida que prevê cotas para a imigração de países da União Europeia, que vai a referendo no próximo ano.

Segundo a agência Reuters, em conferência de imprensa esta segunda-feira, o governo helvético alertou que o controlo da imigração pode trazer danos para a economia e enfraquecer as boas relações com a UE.

A medida do partido conservador suíço (SVP) que pretende definir cotas máximas anuais para a entrada e permanência de imigrantes na Suíça tem sido altamente contestada. No entanto, devido ao sistema de democracia direta deste país ¿ que permite até 4 referendos por ano ¿ a voz será dada ao povo no dia 9 de Fevereiro de 2014.

O SVP culpa a elevada imigração dos últimos anos pelo aumento da criminalidade, das rendas e perda de qualidade dos transportes por excesso de passageiros.

«A aprovação desta iniciativa pode deitar a perder as relações bilaterais com a União Europeia, há muito estabelecidas», disse o ministro dos negócios estrangeiros Didier Burkhalter, adiantando que esta medida testaria os tratados assinados pelo país com a EU.

O ministro da economia Johann Schneider-Ammann, também expressou a sua preocupação e afirmou que as empresas suíças podem perder recursos humanos.

«Seria mais difícil para os negócios suíços encontrarem os recursos humanos necessários, e apareceriam novos entraves quando quisessem exportar para mercados da UE.»

Segundo dados oficiais deste país do último mês de Agosto, a Suíça viu aumentar a imigração em 4,6%, e tem agora cerca de 1,23 milhões de imigrantes, numa população com perto de 8 milhões de pessoas.

No domingo passado, os cidadãos helvéticos votaram num outro referendo que propunha acabar com os salários milionários fruídos em algumas empresas suíças.