Os líderes dos três principais partidos do Reino Unido asseguraram, esta terça-feira, que a Escócia vai receber mais poderes se não optar pela independência.

O primeiro-ministro britânico David Cameron, do Partido Conservador, o seu parceiro de coligação Nick Clegg, dos Liberais Democratas, e Ed Miliband, do Partido Trabalhista, juntaram forças para tentar manter uma união de cerca de 300 anos.

Num artigo publicado pelo jornal escocês «Daily Record», os três líderes afirmaram que se o país rejeitar a independência, vão trabalhar para devolver «novos e vastos poderes» aos escoceses no Governo de Westminster.

«As pessoas querem mudar. A vitória do Não vai trazer uma mudança melhor, mais segura e mais rápida do que a separação», lê-se no texto.

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A contribuição para o Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS) tem sido uma das questões fundamentais da campanha dos que lutam pela independência. Agora, Cameron e parceiros tentam tranquilizar os escoceses nesta matéria.

«Podemos afirmar categoricamente que a contribuição para o Serviço Nacional de Saúde será uma questão a decidir pelo parlamento escocês», garantiram os líderes.

O apelo conjunto surge depois de, nesta segunda-feira, David Cameron ter feito um discurso na cidade escocesa de Aberdeen, pedindo ao país para que não acabasse com «o Reino Unido que conhecemos». Mais, Cameron deixou um aviso: uma vitória do Sim será uma decisão irreversível.

«Temos que ser muito claros. Não haverá como voltar atrás depois desta decisão. Se a Escócia votar Sim, o Reino Unido vai-se separar e vamos continuar os nossos caminhos separados, para sempre», sublinhou o primeiro-ministro britânico.

E se a Escócia conseguir mesmo a independência?

Também esta segunda-feira, a campanha pela independência liderada por Alex Salmond, deixou um apelo, garantindo que só através da separação os escoceses vão conseguir controlar o valor dos impostos e as despesas públicas.

«Ninguém volta atrás» depois da independência, assegurou Salmond. «A prova é que cada vez mais escoceses querem pôr o futuro da Escócia nas mãos da Escócia», justificou.