Atualizada às 10:11

O parlamento da Crimeia pediu, esta segunda-feira, formalmente, a anexação do território à Rússia, depois do referendo de domingoter revelado que 96,77% dos eleitores do território são a favor da integração. O parlamento crimeio declarou por unanimidade a independência da Ucrânia.

Um comunicado divulgado no site do parlamento da Crimeia, citado pela Reuters, adianta que aquele órgão de soberania «fez uma proposta à Federação Russa para admitir a república da Crimeia como novo integrante, com o estatuto de república».

De acordo com a Agência Reuters, uma delegação do parlamento da Crimeia é esperada em Moscovo esta segunda-feira para discutir os procedimentos para se tornar parte da Federação Russa. Espera-se que a câmara baixado parlamento russo emita na terça-feira uma posição de apoio aos resultados do referendo. Vladimir Putin deve dirigir-se, também na terça-feira, ao parlamento do país sobre os resultados da votação.

Este domingo, em referendo, 96,77% dos eleitores crimeios votaram a favor da anexação à Rússia. Resultados avançados pela Comissão de Eleições depois de todos os votos contados. Apemas 2,51% disseram sim à continuidade na Ucrânia, mas com mais autonomia do que atualmente.

De acordo com a televisão oficial de Crimeia, que emite em conjunto com o canal Russia 24, a participação no referendo rondou os 89,5% em Sebastropol, 88,5% em Simferopol e 82,7% no resto da península.

40 mil reservistas ucranianos mobilizados

O Presidente interino da Ucrânia disse, esta segunda-feira que o referendo na Crimeia sobre a anexação da península separatista à Rússia é «uma grande farsa». «A Rússia procura cobrir a sua agressão na Crimeia com uma grande farsa denominada referendo que nunca será reconhecido nem pela Ucrânia nem pelo mundo civilizado», declarou Tourtchinov perante os deputados, aos quais apelou para votarem por uma mobilização parcial.

O Parlamento ucraniano, numa tentativa de reforçar o dispositivo militar do país, aprovou um decreto presidencial para mobilizar 40 mil reservistas. Andriy Paruby, secretário da Segurança Nacional e da Defesa, explicou no Parlamento, que 20 mil reservistas serão integrados nas forças armadas e os restantes integrarão a recém-criada Guarda Nacional.

Japão pede à Rússia para não anexar a Crimeia

O Governo japonês pediu esta segunda-feira à Rússia para não anexar a Crimeia. «O nosso país não aprova o resultado» do referendo na Crimeia, no âmbito do qual mais de 95% dos eleitores da aprovaram a reunificação da península ucraniana com a Rússia», disse o porta-voz do Governo japonês, Yoshihide Suga, durante uma conferência de imprensa.

O mesmo responsável salientou que o Japão «vai pedir vigorosamente à Rússia para respeitar o, a integridade do seu território não anexando a Crimeia», acrescentou ao salientar também que Tóquio vai cooperar com os outros países do G7 no que respeita à Crimeia.

China recusa comentar referendo

A China escusou-se esta segunda-feira pronunciar-se acerca da legalidade ou ilegalidade do referendo de domingo na Crimeia, limitando-se a repetir o seu apelo à «calma e contenção de todas as partes para evitar uma escalada da situação».

«Esperamos que todas as partes envolvidas mantenham a cabeça fria, resolvam as diferenças através do diálogo e procurem uma solução pacífica para a questão», respondeu um vice-ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Li Baodong, quando questionado sobre se a China considerava o referendo legal ou ilegal, como alegam os Estados Unidos e a União Europeia.

A pergunta foi feita durante uma conferência de imprensa sobre a visita que o presidente chinês, Xi Jinping, efetuará à Europa a partir do próximo sábado.