Notícia atualizada às 21:08

Mais de 95 por cento dos eleitores da Crimeia aprovaram este domingo, num referendo considerado ilegal pela comunidade internacional, a reunificação da península ucraniana da Crimeia com a Rússia, segundo os primeiros resultados oficiais.

«95,5% votaram a favor da reunificação da Crimeia com a Rússia», indicou o presidente da Comissão Eleitoral da Crimeia, Mikhailo Malychev, quando estão contados 50% dos votos.

De acordo com o mesmo responsável, 3,5% votaram a favor de que a Crimeia permaneça na Ucrânia com mais poderes autonómicos e um por certo foram votos nulos.

O primeiro-ministro pró-russo da Crimeia, Serguii Axionov, saudou a decisão «histórica» expressa no referendo.

«Obrigado a todos quantos participaram no referendo e fizeram a sua escolha. Hoje, tomámos uma decisão muito importante que ficará para a história», declarou Axionov na sua conta da rede social Twitter.

A Casa Branca avisou este domingo que rejeita este referendo e ameaçou a Rússia com sanções devido à sua intervenção militar na região.

«Como os Estados Unidos e os nossos aliados deixaram claro, uma intervenção militar e a violação do direito internacional vão trazer custos acrescidos à Rússia», disse o porta-voz Jay Carney em comunicado.



A administração de Barack Obama avisa ainda que «já passaram há muito os dias em que a comunidade internacional ficaria em silêncio quando um país invade o território de outro».

Também o governo britânico já reagiu, não reconhecendo o referendo e acusando a Rússia de querer «arranjar uma desculpa para anexar a Crimeia».

O ministro dos Negócios Estrangeiros francês afirmou que o referendo é ilegal e vai contra a Constituição ucraniana.

O referendo, cujas duas perguntas eram «Aprova a reunificação da Crimeia com a Rússia como membro da federação da Rússia?» e «Aprova a restauração da Constituição da Crimeia de 1992 e o estatuto da Crimeia como fazendo parte da Ucrânia?», é considerado ilegal pelas novas autoridades de Kiev e pela maioria da comunidade internacional.

Só Moscovo defende que se trata de uma consulta «legítima».

Seis décadas após a decisão unilateral do então dirigente soviético Nikita Khrushchev de anexar à Ucrânia a região tradicionalmente russa, as respostas às duas questões colocadas aos eleitores da Crimeia no referendo de hoje poderão definir por muito tempo as relações entre Rússia e ocidente.

Cerca de 1.200 assembleias de voto estiveram abertas em toda a Crimeia entre as 08:00 (06:00 em Lisboa) e as 20:00 (18:00 em Lisboa). O resultado do referendo será validado se a taxa de participação ultrapassar os 50%.