O presidente do governo regional da Catalunha, Carles Puigdemont, abriu hoje a porta à declaração unilateral da independência, assegurando que o "sim" ganhou com 90%. Votaram a favor, segundo as autoridades catalãs, 2.262.424 eleitores. 

Hoje, com esta jornada de esperança e também de sofrimento, os cidadãos da Catalunha ganharam o direito a ter um Estado independente que se constitua em forma de República”

Puigdemont anunciou que enviará, “nos próximos dias”, ao parlamento catalão “os resultados” da consulta de hoje, para que “atue de acordo com o que está previsto na lei do referendo”. 

Ora, o presidente do Governo regional, Mariano Rajoy, reagiu antes ao referendo e disse que "não existiu", foi uma "encenação". Culpou ainda a polícia regional, que não cumpriu as ordens do governo, pela tensão máxima que se viveu e que teve, como consequência, cerca de 850 feridos.

O líder catalão fez ouvidos moucos:

A situação que se gerou na Catalunha é um assunto europeu. Hoje a Catalunha ganhou muitos referendos, hoje milhões de pessoas se mobilizaram e manifestaram a alto e bom som, claramente: temos o direito de decidir o nosso fututo, queremos viver em paz, fora de um Estado que impõe e usa a força bruta"

Deixou ainda uma promessa: "Faremos o caminho juntos e em paz". O referendo foi marcado por grande repressão policial, não pelos agentes locais, mas por aqueles que foram enviados por Madrid. 

Em Barcelona, e segundo as autoridades, o "sim" ganhou com 87% dos votos. Já de noite, buzinas de carros e motas mostraram a euforia na capital da Catalunha.

A câmara de Barcelona anunciou assistência jurídica para os feridos nas cargas policiais. O governo regional disse hoje que o Estado espanhol “escreveu uma página vergonhosa” na sua relação com a região, apelando à União Europeia para que tenha em atenção a violação de direitos humanos.

Nós, catalães, ganhámos o direito a sermos respeitados pela Europa. A União Europeia não pode continuar a virar a cara. Somos cidadãos europeus, que sofremos a vulnerabilização de direitos e liberdades, violações diretas da Carta Europeia de Direitos Fundamentais”.