As ações do grupo Jihadista Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIS, na sigla em inglês) têm causado a morte a milhares de pessoas.

O ISIS mantinha ligações à Al-Qaeda até ao início do ano mas agora aparenta querer impor a sua supremacia, sendo ainda mais extremista que a organização fundada por Osama Bin Laden.

Esta segunda-feira, os jihadistas proclamaram a criação de um sistema político desaparecido há quase um século, o califado.

O califado estender-se-ia de Aleppo, no norte da Síria, até à província de Diyala, no leste do Iraque.

Para entender no que consiste o califado é necessário recuar à história do profeta Maomé. Depois da morte do profeta, os seus seguidores criaram o califado, que significa sucessão em árabe, como sistema de governo. O califa, líder deste sistema, assume-se como o sucessor do profeta e como líder de todos os muçulmanos do mundo.

Este regime, maioritariamente sunita, existiu pela última vez no Império Otomano, abolido em 1924.

Agora, o ISIS, que já ocupou cidades do Iraque e da Síria, trouxe de volta esse sistema com o seu califa, Abu Bakr al-Baghdadi, a assumir-se como líder de todos os muçulmanos do mundo e com o poder de aplicar a lei da «sharía».

Na região, milhares de pessoas já abandonaram as suas casas para fugir da violência.



Áreas que o ISIS já ocupou, no Iraque e na Síria


De etnia sunita, o grupo luta contra o governo xiita do Iraque, liderado pelo primeiro-ministro Nouri al-Maliki. Os sunitas constituem 29 por cento da população iraquiana, maioritariamente xiita (60 por cento).

Os muçulmanos xiitas e outras comunidades muçulmanas moderadas rejeitam, no entanto, este novo Estado Islâmico. Para os restantes governos da região, o califado representa mesmo uma ameaça e um perigo à segurança.



A economia do Iraque depende da sua produção de petróleo. O país tem as quatro maiores reservas de petróleo do mundo.

Depois de terem ocupado várias cidades, o ISIS também atacou a maior refinaria de petróleo do país, a 10 quilómetros da cidade de Baiji. As consequências deste controlo podem afetar não só a economia do país, como a do resto do mundo.

Entretanto, os cidadãos iraquianos já enfrentam dificuldades devido à falta de combustível nas cidades ocupadas.



Regiões onde estão as refinarias e os campos de petróleo mais importantes do Iraque