Uma ex-militar norte-americana foi detida, na sexta-feira, por suspeitas de divulgar documentos confidenciais da Agência de Segurança Nacional (NSA) a um órgão de comunicação social. É o primeiro caso do género a vir a público desde que Donald Trump tomou posse.

Reality Leigh Winner, 25 anos, ex-militar da Força Aérea, com acesso a documentos confidenciais - atualmente a trabalhar para a Pluribus International Corporation -, é suspeita de ter imprimido e enviado um relatório da NSA para o The Intercept, no qual é detalhado um alegado ataque informático russo a um fornecedor de software para as eleições dos EUA.

O relatório não revela, no entanto, se o ataque teve efeitos em votos.

A fuga de informação só foi descoberta porque o The Intercept contactou a NSA para obter declarações sobre o documento em questão. Rapidamente foram identificadas seis pessoas que imprimiram o relatório, mas Winner tornou-se a principal suspeita por ser a única que manteve contactos com a imprensa.

Segundo a CNN, Winner terá admitido as alegações quando foi detida na sexta-feira.

Já o The Intercept garantiu que o relatório chegou ao jornal de forma anónima.

O documento da NSA foi-nos entregue de forma anónima. O The Intercept não conhece a identidade da fonte”, afirmou o diretor Vivian Siu, à CNN.

Reality Leigh Winner poderá ser condenada a 10 anos de prisão pela divulgação de informação confidencial.

 

Kremlin nega interferência nas eleições norte-americanas

Com a divulgação deste relatório, a Rússia, através do porta-voz do Kremlin, já reiterou que não interferiu nas eleições norte-americanas.

"Essa afirmação não tem nada a ver com a realidade. Não temos conhecimento de quaiquer argumentos que provem a veracidade dessa informação. Por isso, negamos com firmeza a possibilidade de que [uma interferência] possa ter acontecido", afirmou Dmitry Peskov.