O Governo da República Democrática do Congo afirmou, este domingo, ter rejeitado o apoio das Nações Unidas para uma ofensiva conjunta contra os rebeldes hutu no leste do país, advertindo contra a ingerência nos seus assuntos internos.

A ONU indicou, no passado sábado, estar a retirar a operação contra as Forças Democráticas para a Libertação do Ruanda (FDLR), uma milícia de etnia Hutu baseada no leste do Congo.

Os planos para a campanha chegaram um impasse quando o Presidente, Joseph Kabila, rejeitou os pedidos da ONU para que dois generais congoleses acusados de violação dos direitos humanos fossem substituídos.

«A República Democrática do Congo está a renunciar à ajuda da MONUSCO», disse, este domingo, o porta-voz do Governo Lambert Mende, referindo-se à força da ONU, composta por 20 mil efetivos.

«O Presidente [Kabila] sublinhou que a República Democrática do Congo é um estado soberano», afirmou Mende, após conversações entre o chefe de Estado, o chefe da Missão de Estabilização da ONU, Martin Kobler, e diversos diplomatas.

A ONU anunciou na semana passada ter feito uma «pausa no apoio» às forças armadas da República Democrática do Congo para uma ofensiva conjunta contra os rebeldes hútus ruandeses, após a controversa nomeação dos dois generais.

Vários líderes das Forças Democráticas de Libertação do Ruanda são acusadas de ter participado no genocídio de 1993 contra os tutsis e alguns são procurados pela justiça internacional.

Os membros mais antigos da organização estão presentes na República Democrática do Congo desde 1994, quando foram acusados de cometer atrocidades e saques contra civis.

A neutralização daquele grupo é considerada como chave para permitir o regresso da paz à região dos Grandes Lagos.