Mais de 100 pessoas foram mortas nesta quinta-feira em Bangui, capital da República Centro-Africana, devido a confrontos, avança a Reuters.

A maioria das vítimas dos combates entre milícias cristãs, apoiantes do presidente deposto em março, François Bozizé, e os rebeldes islamistas que controlam a cidade desde então serão civis.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas autorizou hoje o envio de tropas francesas e africanas para proteger a população.

A Reuters diz que pelo menos 105 pessoas morreram, sendo que 53 corpos foram encontrados numa mesquita. A maior parte das vítimas, segundo o correspondente da Reuters, terá sido espancada até à morte.



Samuel Hanryon, dos Médicos Sem Fronteiras, adiantou à Reuters que na morgue do Hospital Comunitário de Bangui estão 52 corpos.

Segundo informações da Amnistia Internacional (AI), muitos dos mortos foram assassinados como forma de «vingança» para com os confrontos militares das várias forças que lutam pelo poder, que ocorreram durante a manhã.

«Existe um padrão de ataques de represálias depois dos confrontos militares na República Centro-Africana, o que deixa muitos civis expostos e em grande perigo», disse Christian Mukosa, da AI.

Segundo a mesma fonte, alguns dos envolvidos nos confrontos são crianças-soldado armadas com facas de mato, barras de ferro e outras armas básicas.

Mukosa falou com médicos de vários hospitais da capital que contaram que gostavam de ajudar os feridos dos confrontos, mas não conseguem chegar aos hospitais dada a insegurança na cidade. Um problema que teme que aumente depois do reforço do recolher obrigatório imposto pelo presidente, das 18:00 às 6:00 da manhã.

A República Centro-Africana não vê paz desde dezembro do ano passado, altura em que as forças rebeldes conhecidas como Sékéla começaram a ocupar cidades, alegadamente, pelo não cumprimento dos acordos de paz assinados em 2007 pelo então presidente, François Bozizé.

Os conflitos intensificados nos últimos dias são uma sequência da deposição de François Bozizé a 24 março deste ano, dia em que o líder rebelde Michel Djotodia tomou a presidência.

As Nações Unidas já autorizaram o uso da força para proteger a população civil.

Entretanto, o Presidente francês anunciou uma ação militar «imediata» das forças francesas.

Numa curta declaração transmitida na televisão, François Hollande afirmou que «a intervenção francesa será rápida» e «não será desenvolvida para demorar».

«Dada a urgência, decidi agir imediatamente, ou seja, esta noite, em coordenação com as forças africanas e com o apoio dos parceiros europeus», indicou o governante, na mesma declaração, assegurando que «a França não tem outro objetivo que não salvar vidas humanas».