Um sismólogo e professor de uma escola superior de Paris acredita que o terramoto de magnitude de 8.2 ocorrido no Chile, esta terça-feira, pode ser um presságio para um tremor mais forte a ocorrer nos próximos anos.

Raul Madariaga, da Ecole Normale Supérieure da rue d¿Ulm, Paris, acredita que o abalo e réplicas relacionadas, uma de 7.6 na quarta-feira e outra de 6.2 na madrugada desta sexta, podem significar um novo terramoto devastador no norte do país.

Como afirma Raul ao «Le Monde», o Chile é o país com maior atividade sísmica do mundo, à frente do Japão. Foi lá que se registou o terramoto mais forte desde que há registos, em 1960, com uma magnitude de 9.5 na escala de Richter, que matou mais de cinco mil pessoas.

O Chile fica no limite de duas placas tectónicas, a placa sul-americana e a placa de Nazca, e por isso recebe a cada dez anos um terramoto de magnitude 8 e dez a 20 tremores de magnitude 7. No entanto, a atividade sísmica tem aumentado, como mostram os fortes terramotos de 2004 (Sumatra), 2011 (Tohoku) e 2013 (Bohol).

O Norte do país vive com medo de um tremor de magnitude 9. O último [igual ao que é esperado brevemente na costa oeste dos EUA] com uma magnitude de 8,8 aconteceu em 1877, que gerou um tsunami que inundou toda a costa do Pacífico. Alguns cientistas afirmam que o ciclo destes fenómenos é de 150 anos, mas Madariaga, aposta em fenómenos mais raros, como de 300 em 300 anos.

«Acho que são precisos mais terramotos de magnitude 8, para causar um "grande"», disse.

No entanto, Madariaga admite que não existem dados históricos para melhorar as previsões. O norte do Chile permaneceu desabitado até 1860, por isso não é possível saber quando ocorreram os terramotos antes de 1877.

Raul Madariaga acredita que o terramoto de terça e consequentes réplicas vão acelerar a ocorrência de um grande terramoto(M9 ou mais), uma vez que os que tiveram ligar esta semana desbloquearam parte da zona de contacto entre as duas placas tectónicas mencionadas.

Um terramoto de magnitude 9 pode causar uma rutura de 400 quilómetros ao longo da costa, acredita o professor. Ele deverá vir acompanhado de um tsunami forte, com ondas de 10 ou 15 metros, a que nenhuma construção vai resistir.

Apesar do perigo, o Chile tem feito um bom trabalho a preparar-se para estes eventos. A certeza está na diferença do número de mortos que baixou de 700 pessoas em 2010, para 6 nesta terça-feira (ainda que o de 2010 tenha sido de 8,8 ¿ uma força 10 vezes superior).

Muitas estações sísmicas foram instaladas no país e foram capazes de fornecer informações importantes que permitiram salvar vidas. As normas de construção também foram alteradas para resistir a estes eventos naturais. O resultado ficou à vista, milhões de pessoas foram evacuadas em segurança num raio de mais de 4000 quilómetros de costa, com recurso a sirenes, aos media e a SMS enviadas para os chilenos.