O governo cubano rejeitou aquilo a que chamou de “retórica hostil” do presidente norte-americano depois de Donald Trump ter anunciado as suas políticas para Havana. Ainda assim, a administração do presidente Raúl Castro fez saber que vai manter um “diálogo respeitoso” com os Estados Unidos em assuntos de interesse mútuo.

Num comunicado divulgado nos media estatais na sexta-feira à noite, o governo de Cuba afirmou que o discurso de Trump estava “carregado com retórica hostil que faz lembrar os tempos de confronto aberto”.

O longo comunicado adota, no entanto, um tom conciliatório, dizendo que Havana quer continuar negociações com os Estados Unidos em diversos temas.

A posição da administração de Raúl Castro surge depois de o presidente norte-americano ter anunciado que vai travar o processo de abertura a Cuba, numa reversão de políticas encetadas por Barack Obama.

Num discurso realizado em Little Havana, na cidade de Miami, tradicional polo de exilados cubanos nos EUA, Trump denunciou o que chamou de “caráter brutal” do regime cubano e exigiu a Havana que realize eleições livres, com supervisão internacional, para levantar o bloqueio económico à ilha.

De acordo com o The Washington Post, Trump irá repor as limitações de viagens de norte-americanos para Cuba e limitar as relações comerciais e diplomáticas. 

De acordo com fontes da Casa Branca, permanecerão ativos os acordos que permitem às companhias aéreas e de navegação dos EUA aterrarem e atracar em Cuba. Já o fluxo de dinheiro destinado aos serviços de segurança da ilha, acusados de aumentar a repressão, será interrompido.