O grupo terrorista Boko Haram terá sequestrado mais um grupo de 60 meninas e mulheres em duas localidades do Estado de Adamawa, no norte da Nigéria, numa aparente quebra do cessar-fogo que foi anunciado pelas autoridades nigerianas na semana passada.

A BBC News cita a população de duas aldeias do nordeste nigeriano, que dizem que as mulheres e raparigas foram levadas por homens que se suspeita serem membros do Boko Haram. As autoridades ainda não confirmaram os raptos, que terão acontecido esta quinta-feira.

Cerca de 40 vítimas foram capturadas em Waga Mangoro e outras 20 foram sequestradas em Garta por supostos integrantes do grupo, que chegaram armados às duas localidades no sábado.

O cessar-fogo foi anunciado no dia 17 de outubro pelos militares nigerianos, mas a BBC sublinha que o Boko Haram nunca confirmou esse acordo, que previa também a «iminente» libertação das mais de 200 meninas sequestradas há seis meses num colégio de Chibok.
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Os governos federal e regional e o Exército não se pronunciaram sobre este novo sequestro. O porta-voz do governo de Adamawa, Phineas Elisha, disse aos jornalistas que ainda não foi possível confirmar o número de sequestros porque ambas as comunidades estão sob controlo dos radicais.

«Neste momento, não podemos confirmar o número exato, mas estamos muito preocupados com a situação», afirmou.

Na noite de quarta-feira, cinco pessoas morreram e outras 12 ficaram feridas com a explosão de uma bomba na estação de autocarros da cidade de Azare, no estado de Bauchi, um dos mais afetados pela violência de Boko Haram.

Esses ataques, somados à violência registada em Borno no fim-de-semana anterior, colocam cada vez mais em dúvida a veracidade do cessar-fogo anunciado pelo Exército.

Boko Haram, que em línguas locais significa «a educação não islâmica é pecado», mantém uma sanguinária campanha no país que já matou mais de três mil pessoas este ano, de acordo com dados do Governo da Nigéria.