Alegados membros da milícia radical islâmica Boko Haram raptaram cerca de 100 jovens num ataque a uma aldeia remota no estado de Borno, no nordeste da Nigéria, noticia esta sexta-feira a imprensa local. O rapto aconteceu no passado domingo, quando homens armados atacaram a comunidade de Doron Baga. No ataque, morreram pelo menos 10 pessoas, de acordo com testemunhas citadas pelo diário nigeriano «The Punch».

O rapto acontece quatro meses depois de Boko Haram, que luta para restabelecer um califado islâmico medieval na Nigéria, ter sequestrado mais de 200 raparigas de uma escola de Chikob, no noroeste do país.

Várias testemunhas que fugiram após o ataque de domingo em Doron Baga dizem que os militantes queimaram várias casas e que 97 pessoas desapareceram.

«Eles não deixaram homens e rapazes, apenas crianças, raparigas e mulheres», conta à Reuters Halima Adamu, depois de 180 quilómetros de viagem na traseira de um camião para a cidade do norte de Maiduguri. «Gritavam "Allah Akbar" (Deus é grande), enquanto disparavam esporadicamente. Instalou-se a confusão. Eles começaram a meter os nossos homens e meninos em veículos, ameaçando disparar sobre quem desobedecesse. Toda a gente estava com medo», acrescenta.

O método de Boko Haram: sequestrar adolescentes e obrigá-los a lutar e raptar raparigas como escravas sexuais, faz eco do Exército da Resistência do Senhor (Uganda's Lord's Resistance Army), que há décadas atua da mesma forma no Uganda, no Sudão do Sul e na África Central.

O Boko Haram, que em línguas locais significa «a educação não islâmica é pecado», tem o reduto espiritual e a base de operações em Borno, mas atua também nos Estados vizinhos de Adamawa e Yobe, onde o Governo nigeriano declarou o estado de emergência.

Desde que a polícia matou em 2009 o então líder e fundador do Boko Haram, Mohammed Yousef, os radicais mantêm uma campanha sangrenta que se intensificou nos últimos meses. O grupo islamita já matou este ano cerca de três mil pessoas, e mais de 12 mil desde 2009, de acordo com os cálculos do Governo nigeriano.