Shahbaz Taseer goza os primeiros meses de liberdade, depois de ter sido torturado durante cinco anos por um movimento radical islâmico. Shahbaz Taseer “regressou dos mortos” para contar a sua história.

O filho do antigo governador da província paquistanesa de Punjab, assassinado após criticar a lei da blasfémia, foi raptado pelo Movimento Islâmico do Uzbequistão em agosto de 2011.

Seguiram-se anos de tortura, mas Shahbaz Taseer encarou o cárcere como um exercício de paciência. Numa entrevista à CNN, Shahbaz Taseer descreveu algumas das torturas a que foi sujeito. “Arrancaram-me as unhas”, disse a Christiane Amanpour.

“Começaram por me chicotear com mangueiras. No primeiro dia foram 100, mas havia de aumentar para 200 [chicotadas]. Deitavam sal nas feridas abertas nas costas. Coseram-me a boca e passei fome. Cortaram pedaços das minhas costas, sangrei durante sete dias e não me derem medicação”, relatou Shahbaz Taseer.

Durante os anos de cativeiro, os momentos positivos ficavam-se pelos telefonemas que os terroristas faziam à mãe. Ele não podia falar com ela, nem ela podia dizer tudo, mas, ouvir a sua voz, concentrar-se no seu tom de voz, era um raio de esperança.

Em novembro de 2015, a sua vida haveria de mudar, após confrontos entre o Movimento Islâmico do Uzbequistão e os talibãs do Afeganistão. Como estes não são a favor de raptos, Shahbaz Taseer foi libertado, mas condenado a dois anos de prisão. Os mesmos que o condenaram, acabaram por libertá-lo a 29 de fevereiro de 2016.

“É uma loucura encontrar humanidade onde ela não existe”, mas foi isso mesmo que aconteceu. No entanto, ainda faltava a Shahbaz Taseer uma última prova de resistência até conseguir abraçar a mãe. Com o cabelo e a barba comprida, não foi fácil encontrar alguém que o ajudasse. Foi um talibã que lhe emprestou um telemóvel e permitiu que telefonasse à mãe. Shahbaz Taseer "regressou dos mortos" aos 36 anos.