O presidente do Governo espanhol voltou à carga, esta segunda-feira, nas críticas à situação política em Portugal, dizendo explicitamente que não lhe "agrada". É a terceira vez em menos de uma semana que Mariano Rajoy, líder do partido conservador PP, se pronuncia sobre o assunto.  

"Sou partidário de que governe sempre o mais votado. Há precedentes que não me agradam. Vimo-lo em municípios [casos de Madrid, Valência ou Saragoça] em que todos se puseram contra o PP e não gostei. O que estou a ver agora em Portugal também não me agrada"


Na semana passada, o político defendeu, no Congresso do Partido Popular Europeu (PPE),que os socialistas em Espanha podem fazer o mesmo que o PS de António Costa que se aliou "com quem quer que seja" (foi assim que se referiu ao BE e ao PCP). Um dia depois, voltou a dizer que uma coligação PS-BE-PCP em Portugal seria algo " negativo para todos". Tais declarações motivaram logo uma reação do histórico socialista Manuel Alegre, acusando Rajoy de "inaceitável ingerência" em Portugal.

Certo é que hoje o político espanhol voltou a insistir nas advertências, que pretende que encontrem eco não só no país vizinho de Espanha, mas também internamente, uma vez que os espanhóis serão chamados às urnas para decidir o novo Governo em breve. A propósito do comentário sobre Portugal, e por isso mesmo, defendeu que "as pessoas devem refletir sobre o que fazem com o seu voto".

Foi precisamente neste arranque de semana, que o presidente do Governo espanhol assinou o documento que dissolve oficialmente o parlamento e marca as eleições gerais espanholas para 20 de dezembro. O decreto também estipula a constituição de novas Cortes (Parlamento) a 13 de janeiro.

Ao falar pela terceira vez na situação política portuguesa, Rajoy deixa transparecer alguma preocupação com as sondagens que já começam a sair do forno. O partido Ciudadanos, que já existe há 10 anos mas só agora alcançou a posição de terceira força política, está a recolher cada vez mais apoio, ao conquistar eleitores centristas, tanto com pendor de esquerda como de direita, roubando apoio aos dois principais partidos: lá está, o PP (à frente nas sondagens, mas a perder terreno) e o PSOE.

O ato em que Rajoy anunciou oficialmente as novas eleições também serviu para fazer um balanço da sua legislatura, iniciada em finais de 2011. Rajoy fez mais uma vez um "apanhado" do desempenho económico de Espanha ao longo do seu mandato e deixou algumas pistas sobre o que vai ser a mensagem do PP espanhol na campanha eleitoral: "emprego, crescimento e confiança".