O presidente do organismo da ONU sobre as alterações climáticas e Nobel da Paz em 2007, Rajendra Pachauri, demitiu-se esta terça-feira, depois de a polícia indiana ter iniciado uma investigação contra si por presumível abuso sexual.

Rajendra Pachauri, presidente do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), justifica o pedido de demissão enviado ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, com a necessidade do organismo ter «uma direção forte».

«O IPCC precisa de uma direção forte, do tempo e da plena atenção do seu presidente no futuro imediato, o que, nas atuais circunstâncias, poderei não ser capaz de dar», explica o responsável, de 74 anos, na carta enviada a Ban.

Pachauri é acusado por uma investigadora, de 29 anos, do centro de reflexão que dirige sediado em Nova Deli, o Instituto da Energia e Recursos, de repetido comportamento impróprio, incluindo através de mensagens de correio eletrónico e de telemóvel.

Após aceitar a demissão de Pachauri, que presidiu ao organismo nos últimos 13 anos, o IPCC designou o até agora vice-presidente, Ismail El Gizouli, para o substituir.

«As ações tomadas hoje assegurarão que a missão do IPCC de avaliar as alterações climáticas continua sem interrupção», disse o diretor executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Achim Steiner.

Em 2007, o IPCC, dirigido por Pachauri, recebeu juntamente com o antigo vice-presidente norte-americano Al Gore o prémio Nobel da Paz pelos seus esforços para promover e divulgar um maior conhecimento sobre as alterações climáticas e por definir a base das medidas necessárias para contrariar o fenómeno.