O prémio Sakharov foi, esta quinta-feira, atribuído ao blogger saudita, Raif Badawi, condenado a 10 anos de prisão e 1.000 chicotadas por insultar o islão. O anuncio foi feito esta manhã no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, França.
 
Raif Badawi recebeu o prémio como símbolo da luta pela liberdade de expressão.  
 
O saudita era um dos três candidatos ao prémio - que reconhece personalidades e organizações pela defesa dos direitos humanos e direitos fundamentais -, junto com o movimento venezuelano de oposição ao Governo, Mesa de la Unidad Democratica, e o político Boris Nemtsov, assassinado este ano em Moscovo.

O presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, já apelou ao rei da Arábia Saudita que liberte o blogger.

"Peço ao rei da Arábia Saudita que liberte [Raif Badawi], para que possa receber o prémio. [É] um homem extremamente bom, exemplar, a quem foi imposto um dos maiores castigos que existe no seu país, que só pode ser descrito como tortura". 


Raif Badawi está preso desde 2012 por causa do blog Saudi Arabian Liberals, onde promovia debates sobre política e religião e defendia um regime laico. De acordo com a mulher de Raif, o blogue foi criado em 2008, com o objetivo de promover a discussão sobre a fé. 
  
Em 2014, um tribunal religioso condenou, por insultos ao islão, a 10 anos de cadeia e a mil chicotadas. As chicotadas devem ser aplicadas em lotes de 50, durante 20 semanas seguidas. 
  
O primeiro lote foi aplicado em janeiro deste ano, mas, desde essa altura, o castigo tem sido adiado inúmeras vezes. A última vez em junho. Contudo, num comunicado publicado esta terça-feira no site da Raif Badawi Foundation, a mulher do blogger escreveu que uma “fonte informada” lhe disse que as autoridades sauditas devem prosseguir com o castigo. A mesma fonte também lhe disse que este segundo lote de chicotadas deve ser aplicada dentro da prisão, apesar de a sentença prever que o castigo fosse aplicado em público.