A Ucrânia confronta-se com duas crises simultâneas mas é interdependente do seu vizinho russo, com quem necessita de estabelecer relações normais, considerou esta sexta-feira em Lisboa o chefe da diplomacia da Polónia.

«Há duas crises: a desestabilização no leste da Ucrânia e a questão do gás e ambas têm de ser resolvidas. A Ucrânia e a Rússia precisam uma da outra, em termos de abastecimento de gás, de água, e assim de restabelecer relações normais», referiu Radoslaw Sikorski durante uma conferência de imprensa conjunta com o seu homólogo Rui Machete, no final de uma vista oficial a Lisboa.

«Nós, como Europa, apenas podemos encorajar as duas partes a reiniciarem as suas relações políticas e comerciais», precisou o responsável polaco e cujo país, fronteiriço da Ucrânia, tem assumido particular destaque em diversas iniciativas destinadas a solucionar a crise.

A posição de Varsóvia tem sido clara: respeito pela soberania e integridade territorial da Ucrânia, e não reconhecimento da anexação da Crimeia pela Rússia, posição também partilhada pelo homólogo português.

A retirada das tropas russas das fronteiras ucranianas e a «interrupção do envio de homens e provisões» através da fonteira foram outras medidas consideradas urgentes por Sikorski.

Apesar de definir a situação como «muito preocupante», o responsável polaco congratulou-se com o prosseguimento do diálogo entre Kiev e Moscovo sobre questões energéticas, sem deixar de se solidarizar com a liderança ucraniana.

«É sempre o maior parceiro que tem a maior responsabilidade. E a Ucrânia é uma vítima desta situação, foi à Ucrânia que foi retirada uma província à força, é a Ucrânia que se está a defender de pessoas apoiadas por um país vizinho. Esse apoio tem de terminar, e será o princípio do fim da crise».

Para o ministro polaco, a Rússia depara-se agora com uma «grande oportunidade», na sequência da recente eleição do Presidente ucraniano Petro Poroshenko, proveniente do Partido das Regiões ¿ do ex-chefe de Estado «pró-russo» Viktor Ianukovitch ¿, e definido como ¿um homem razoável e com experiência¿.

Radoslaw Sikorski assegurou que o novo líder ucraniano garante apoios em todas as regiões do país «e é alguém com quem o ocidente e a Rússia devem negociar».

Asism, referiu ter «exortado» as autoridades russas «a aproveitarem esta oportunidade para começar a resolver esta crise, e estou muito contente que o Presidente eleito Petro Poroshenko se encontre com líderes mundiais em Varsóvia na próxima semana», num alusão à deslocação à capital polaca do novo líder de Kiev prevista para 07 de junho, a primeira visita ao estrangeiro e antes da tomada de posse oficial.

No entanto, advertiu: «É necessário o diálogo, negociações, mas temos de respeitar a integridade territorial e a soberania ucraniana, e não enviar terroristas e rejeitar a ingerência nos assuntos internos da Ucrânia».