Um casal da cidade de Muriaé, no Brasil, foi vítima de insultos racistas no Facebook, depois de terem publicado fotografias dos dois na rede social. Pelo menos 50 utilizadores, que terão agido em grupo, foram identificados pela polícia pelo crime de injúria racial e ainda poderão ter de responder pelo crime de associação criminosa.

Maria das Dores Martins, de 20 anos, é de raça negra e o namorado, Leandro, de 18 anos, é branco. Estão juntos há um ano e oito meses e esta foi a primeira vez que foram ofendidos com comentários racistas.

O incidente aconteceu em julho quando publicaram uma fotografia em modo público - que toda a gente pode ver - no Facebook. Um mês depois, começaram os comentários racistas.

«Onde compro essa escrava?», «Parece que estão na senzala», lia-se nas mensagens deixadas pelo grupo.

Em entrevista a uma televisão brasileira Maria das Dores Martins contou que a primeira atitude do casal foi remover as fotografias e apagar a conta do Facebook. No entanto, para que as investigações policiais tivessem progressos a jovem teve de a reativar novamente.

Segundo as autoridades, a maioria dos utilizadores em causa é de São Paulo e tem uma idade compreendida entre os 15 e os 20 anos. A polícia afirma que o grupo já se envolveu em crimes do género, com outros casais.

«Eles agem de forma organizada e escolhem as vítimas aleatoriamente. No caso do casal de Muriaé, até criaram uma página [no Facebook] que utilizaram para insultar e difamar as vítimas», revelou o delegado Eduardo Freitas da Silva, responsável pelo caso.

Agora, as autoridades querem identificar o líder do grupo. Em relação à página criada, já foi feita uma solicitação para a remoção da mesma, mas a polícia apela a que os utilizadores a denunciem para que seja excluída o quanto antes.

Apesar do incidente, Leandro garantiu ao «G1» que o casal conseguiu superar o sucedido.

«As palavras foram muito ofensivas, mas o importante é que a gente está bem. O nosso relacionamento não foi afetado, pelo contrário, melhorou ainda mais».