O meu vestido, a minha escolha. Este foi o mote para a manifestação desta segunda-feira em Nairobi, no Quénia, pelo direito das mulheres a vestirem-se como querem.

Cerca de mil pessoas, sobretudo mulheres, participaram nesta rara demonstração de apoio aos direitos femininos neste país africano.

O protesto foi motivado por uma série de ataques a mulheres, que foram despidas e assediadas, porque estavam a usar minissaias ou roupas curtas.

O ativista Boniface Mwangi vestiu um vestido e marcou presença. «Podia ter sido a minha mulher, a minha filha, a minha mãe», justificou à Reuters.

   

A assistir ao protesto estava James Macharia, um estudante de 26 anos que defende o ponto de vista dos agressores. «Uma mulher africana deve ser decente. Elas estão a provocar-nos e acho que temos de ter leis a proibirem isto», afirmou, citado pela Reuters.

Pelo menos dois vídeos foram divulgados nas redes sociais, de um ataque em Mombaça e de outro em Nairobi, filmados com telemóveis. Nas imagens, pode ver-se grupos de homens que cercam as mulheres, despem-nas e batem-lhes.

No caso de Nairobi, o vídeo foi filmado numa rua cheia de gente e de dia. O vice-presidente queniano, William Ruto, chamou-lhe um ato «bárbaro». Já o inspetor-geral da polícia, David Kimaiyo, apelou à vítima para que desse a cara e apresentasse queixa. No entanto, os crimes sexuais raramente são julgados no Quénia.

Estes dois vídeos motivaram uma campanha nas redes sociais, com a hashtag #MyDressMyChoice.


 

 

   

No entanto, ao mesmo tempo, a hashtag #NudityIsNotMyChoice junta aqueles que defendem a culpa das mulheres nestes ataques.