Pelo menos quatro pessoas foram hoje encontradas mortas num bairro degradado de Nairobi, onde a descoberta dos corpos na rua causou confrontos, anunciaram polícias e meios de comunicação quenianos. As autoridades disparam gás lacrimogéneo contra a multidão depois de uma noite de tumultos.

As quatro vítimas, três homens e uma mulher, foram descobertas no bairro degradado de Mathare, um dos pontos quentes da violência nas eleições no país desde a eleição presidencial de 8 de agosto, anulada pela justiça, e a nova eleição de 26 de outubro, adiantam as fontes.

"Lançámos uma investigação sobre os assassínios de quatro pessoas mortas no setor de Mathare 1", declarou um responsável da polícia no local.

Numerosos meios de comunicação quenianos noticiaram a descoberta dos quatro cadáveres. Mas desconhecia-se se as vítimas tinham sucumbido a ferimentos provocados por balas ou arma branca.

A descoberta dos cadáveres desencadeou confrontos entre a polícia e habitantes em fúria. Três veículos, incluindo dois autocarros de transporte de passageiros, foram incendiados e o bairro foi cercado pela polícia tornando difícil o acesso dos meios de comunicação.

Segundo o responsável da polícia, habitantes em fúria no local consideram que estes assassínios têm um caráter politico étnico e acusam membros de um grupo criminoso denominado Mungiki de serem os autores.

Os Mungiki são um temido grupo criminoso Kikuyu, o grupo étnico do Presidente Uhuru Kenyatta, que atuou na violência político-étnica de 2007 - 2008 e, então, conhecido por defender violentamente os interesses comerciais de seu grupo étnico.

O termo Mungiki é desde então aplicado na generalidade a grupos de Kikuyu armados.

A população do bairro degradado de Mathare é mista, com Kikuyu a coabitarem com membros das etnias Luo ou Luhya, cujos líderes são os principais responsáveis da oposição, designadamente o chefe desta, Raila Odinga, que é Luo.