Um piloto holandês, que trabalha para a Emirates Airlines, escreveu, num artigo para a «Aviation News», dois meses antes da tragédia dos Alpes, que sentia receio de ir à casa de banho e não conseguir regressar à cabine.
 

«Espero nunca me encontrar na posição de ter ido à casa de banho e, no regresso, não conseguir abrir a porta do cockpit», escreveu o piloto na revista citada pelo «The Mirror».
 
«Pergunto-me muitas vezes quem é a pessoa que está sentada ao meu lado no cockpit. Será que a conhecemos bem ou apenas travámos contacto no cockpit. Como garantir que posso confiar nele ou nela?».
 

Face aos seus receios, Jan Cocheret, aconselhava a que as mesmas medidas tomadas para evitar que terceiros assumissem os controlos de um avião, deviam ser aplicadas também aos pilotos.
 
As palavras de Jan Cocheret, escritas antes, parecem um decalque daquilo que se viveu no avião da GermanWings, que caiu nos Alpes franceses no final de março, depois do copiloto ter intencionalmente despenhado o aparelho. As gravações da caixa negra já tornadas públicas revelam que o piloto implorou ao copiloto que o deixasse entrar no cockpit e que tentou abrir a porta com os objetos que encontrou à mão, numa luta contra o tempo que se revelou infrutífera e o avião, poucos minutos depois, desfez-se em pedaços nas montanhas, provocando a morte a 150 pessoas.
 
O diretor da Lufthansa, a companhia aérea mãe da lowcost GermanWings que era dona do aparelho, disse esta quarta-feira que era preciso tempo para perceber o que se tinha passado nos Alpes, numa altura em que as equipas forenses deram por terminada a recolha dos restos humanos.
 
As preocupações colocadas no papel por Jan Cocheret ganharam um rosto nos últimos dias: Andreas Lubitz, copiloto de 27 anos. E as palavras do piloto holandês ganham novo sentido: «Como garantir que posso confiar nele ou nela?».