As principais organizações muçulmanas de França apelaram esta terça-feira à comunidade muçulmana para «manter a calma e evitar reações emotivas», um dia antes da publicação do primeiro número do Charlie Hebdo depois do ataque ao jornal.

A edição a publicar na quarta-feira tem na capa uma caricatura de Maomé, de lágrima no olho, segurando uma folha com a frase «Je suis Charlie», igual às utilizadas por milhões de pessoas que se manifestaram no domingo em Paris em defesa da liberdade de expressão. O desenho tem como título «Tudo está perdoado».

O Conselho Francês do Culto Muçulmano e a União das Organizações Islâmicas de França (UOIF) divulgaram hoje um comunicado conjunto em que pedem à comunidade muçulmana que «mantenha a calma e evite reações emotivas que sejam incompatíveis com a sua dignidade» e que dê mostras de «respeito pela liberdade de expressão».

A redação do jornal satírico Charlie Hebdo, conhecido da maioria pela publicação de caricaturas de Maomé em 2006, foi atacada na quarta-feira da semana passada por dois irmãos, Said e Cherif Kouachi, com ligações a grupos ‘jihadistas’.

O ataque fez 12 mortos, dois deles polícias e os restantes dez membros da redação, entre os quais o diretor, Charb, e três dos principais cartoonistas. Além das vítimas mortais, o ataque fez quatro feridos graves.

Muitos muçulmanos consideram ofensiva a publicação de desenhos ou caricaturas de Maomé, uma vez que os princípios islâmicos proíbem a representação humana do profeta.