Mais do que divididos, ninguém se entende entre os socialistas espanhóis. Na tarde de quarta-feira, demitiram-se 17 dos 35 elementos do comité federal. Outros dois já tinham abandonado a estrutura e por isso sustentam que o líder Pedro Sánchez deve arrumar os seus pertences e sair de cena.

Os contestatários, com a líder do PSOE de Sevilha, Verónica Pérez à cabeça, pretendem nomear um novo secretário-geral. Esgrimem com os estatutos, segundo os quais, com a demissão de metade mais um dos membros do comité federal, a direção cai.

Sou a única autoridade dentro do partido", foram as palavras de Verónica Pérez, na tarde de quinta-feira à entrada para a sede nacional dos socialistas na rua Ferraz, em Madrid.

O problema é que, dentro de portas da sede, Verónica terá ficado a falar sózinha. Melhor dizendo, o líder Sánchez estava reunido com os que o apoiam e não passaram cavaco à senhora.

Não me permitiram ficar. É muito triste. Não entendo como se pode pensar que eu ou qualquer outro militante possa ser uma ameaça", afirmou Verónica Pérez à saída, citada pelo site eldiario.

Congresso marcado

Com mais de metade de demissões non comité federal, Pedro Sánchez reuniu-se com os que ainda o apoiam e resolveu antecipar o congresso extraordinário, para levar os 190 mil militantes do PSOE a escolher um novo líder. Sendo provável que tencione recandidatar-se.

O congresso foi marcado para 12 e 13 de novembro e antes, a 23 de outubro, os militantes serão chamados às urnas para votar e escolher o líder, num sufrágio direto e secreto.

Aqueles que consideram que Sánchez já não é secretário-geral, os seus partidários argumentam também com os estatutos. Na sua leitura, com a demissão da maioria no comité federal, nada prevê que este seja dissolvido. Antes confere, que tem de marcar um congresso. O que eles já estão a fazer.

Crise que vem de longe

Alguém terá de assumir a responsabilidade política por se ir de derrota em derrota, supondo que até à vitória final", foram algumas das palavras críticas do histórico líder socialista Felipe González, em entrevista à rádio Cadena SER.

Em causa, estão os sucessivos fracassos eleitorais que o PSOE tem vindo a acumular e a sua recusa em viabilizar um governo para Espanha, liderado pelo líder do Partido Popular, Mariano Rajoy.

A 20 de dezembro do ano passado, os socialistas conseguiram 90 deputados no parlamento. Meses depois, nas eleições de 26 de junho, ficaram-se pelos 85. E já no passado fim de semana, nas regionais do País Basco e na Galiza, voltaram a perder terreno.