Falta menos de uma semana para terminar o prazo para encontrar um acordo para formar um Governo em Espanha, mas as negociações não dão sinais de estarem próximas de um final que permita esse cenário.

O rei Felipe VI está a receber os quatro maiores partidos – PP, PSOE, Podemos e Cidadãos – mas o último acordo proposto não deverá resultar na formação de Governo. O PSOE está disposto a aceitar a maioria das propostas do Compromís, mas não dispensa a participação do Cidadãos, que já fez saber não ter interesse neste acordo.

O país está num impasse desde as legislativas de 20 de dezembro, quando o PP, o partido do último Governo, perdeu a maioria. Se a última ronda não fechar com acordo, novas eleições deverão ser convocadas para 26 de junho.

A proposta do partido valenciano Compromís propunha 30 medidas gerais para apoiar um governo liderado pelo PSOE – o “Acuerdo del Prado” – que ultimamente, e idealmente, teria o apoio da esquerda e do Cidadãos. O porta-voz do PSOE, Antonio Hernando, anunciou uma contraproposta em que o partido estava disposto a aceitar 27 dessas 30 medidas, e a abrir o diálogo sobre as outras três. Além disso propôs outras três condições que garantiriam a estabilidade do governo, pelo menos até 2018.

O documento tem 30 medidas, dizemos sim, diretamente, a 27. Entendemos que são compatíveis com o acordo que temos com o Cidadãos. Às outras três medidas [abrimos o diálogo]. Queremos que seja apoiada, de forma ampla, uma segunda investidura de Pedro Sánchez à presidência do governo. Por isso, propomos três coisas: que as forças políticas que apoiam o [Acuerdo del Prado] apoiem dois Orçamentos do Estado para dar estabilidade ao governo, que o executivo seja do Partido Socialista com incorporação de independentes e [prometemos] que Pedro Sánchez se vai sujeitar a uma moção de confiança em junho de 2018”, disse Hernando, segundo o El País.

O vice-presidente do Cidadãos, José Manuel Villegas, já anunciou que o partido não vai apoiar nem a proposta do Compromís, nem a do PSOE. O partido não que envolver-se numa “confusão” de última hora, sem medidas quantificadas e que se refere à questão do referendo da Catalunha num parágrafo.

Sánchez pode tentar sem o nosso apoio. Matematicamente nunca foi necessário”, disse Villegas.

Do lado da esquerda, o Podemos lamentou os demasiados “nãos” do PSOE quanto à proposta valenciana. Pablo Iglésias entende que as medidas propostas estão em linha com o que “tem sido discutido nas últimas semanas”, e lamenta que o PSOE insista na ideia de um governo formado apenas por um partido.