O secretário-geral socialista, António Costa, felicitou esta sexta-feira David Cameron pela reeleição como primeiro-ministro inglês, assumindo que "gostaria de outro resultado do Partido Trabalhista", mas distinguindo a política económica em Inglaterra da "doutrina da austeridade" da Zona Euro.

À margem da visita ao Centro Tecnológico do Calçado de São João da Madeira, António Costa foi questionado pelos jornalistas sobre a pesada derrota que o Partido Trabalhista sofreu nas eleições do Reino Unido de quinta-feira, sobre as quais o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, destacou o facto de David Cameron ter sido reeleito depois de ter tomado "medidas bastante difíceis e que não eram nada populares".

"Em primeiro lugar quero felicitar naturalmente o primeiro-ministro inglês pelo resultado eleitoral que obteve, mas se se comparar bem aquilo que tem sido a política económica seguida em Inglaterra com aquilo que tem sido a política económica seguida na Zona Euro percebe-se porque é que a Inglaterra e os Estados Unidos têm tido uns resultados e a Europa, seguindo a doutrina da austeridade, tem tido outros resultados bastante diversos", disse.


Admitindo que "gostaria de outro resultado do Partido Trabalhista", o líder socialista preferiu focar-se naquilo que o "entusiasma neste momento": "os bons exemplos do que temos em Portugal pelo qual devemos puxar para valorizar aquilo que deve ser a estratégia de desenvolvimento certa".

Interrogado sobre se estava dececionado com o resultado do Partido Trabalhista inglês, António Costa atirou: "Estou sobretudo entusiasmado com o resultado do calçado português".

O secretário-geral enalteceu assim o exemplo deste setor, que não se desenvolveu na lógica do empobrecimento mas pelo "investimento que foi feito com base no conhecimento, na inovação e na modernização".

O Partido Conservador britânico garantiu 331 lugares nas eleições legislativas de quinta-feira, assegurando a maioria absoluta no parlamento, muito distanciado do Partido Trabalhista, que sofreu uma pesada derrota na Escócia em benefício dos nacionalistas.

Em número de votos, os conservadores obtiveram apenas mais 0,8% face ao anterior escrutínio de maio de 2010, garantindo 36,9% dos votos expressos ou 11,33 milhões de votos, mas mais 25 deputados, permitindo-lhe ultrapassar a barreira dos 326 deputados, a maioria absoluta na Câmara dos Comuns.