Perto de 20 milhões de venezuelanos são chamados a votar neste domingo. As urnas para as eleições da Assembleia Constituinte na Venezuela abriram às 06:00 horas locais (11:00 horas em Lisboa). Foram abertas com o presidente, Nicolás Maduro, a depositar o seu voto. Um momento que foi transmitido pela televisão estatal venezuelana VTV.

Maduro declarou depois que quis ser o primeiro a dar o voto pela "paz, soberania e independência da Venezuela".

Quis ser o primeiro a dar o voto para a paz, a soberania e a independência da Venezuela (…). Hoje é um dia histórico.”

A oposição chamou os venezuelanos a bloquearem este domingo as ruas dos 23 estados do país para reduzir a participação nas eleições e desmascarar o governo que falará em "milhões de votos". 

Numa conferência de imprensa que teve lugar na Praça de Los Palos Grandes, no leste de Caracas, o vice-presidente do parlamento venezuelano, Freddy Guevara, explicou que a intenção é deslegitimar o processo, com baixa participação, e "desmascarar" o governo de Nicolás Maduro, que poderá dizer que houve milhões de votos.

"Um bloqueio nacional contra a ditadura ao longo do país. Devemos levantar-nos e demonstrar que não vamos deixar de lutar", disse Freddy Guevara. 

O responsável da oposição deixou ainda uma garantia: "Independentemente da fraude, não vamos dobrar a coluna", frisou.

As eleições para a Assembleia Consituinte, que se realizam este domingo, foram convocadas a 1 de maio pelo presidente para se proceder a alterações na Constituição do país.

Mas muitos venezuelanos são contra a eleição do órgão que terá poderes ilimitados para promover reformas e mudar o ordenamento jurídico do país. A oposição insiste que a Assembleia Constituinte acabará com os restos de democracia que existem no país e que será usada por Maduro para avançar com um regime comunista ao estilo de Cuba. 

Desde então, os protestos tomaram conta das ruas venezuelanas. Os confrontos entre a oposição e o regime já provocaram 110 mortos, desde abril.

Ainda neste sábado, populares que se opõem ao governo queimaram boletins e mesas de votos nas ruas. Pelo menos três pessoas morreram e várias ficaram feridas. Um dos feridos é  o jovem violinista de 23 anos que tem marcado presença em todas as manifestações.

Na quinta-feira, o governo proibiu a realização de manifestações e advertiu sobre penas de prisão de cinco a dez anos para quem perturbar as eleições.

O regime anunciou que 142.000 funcionários dos organismos de segurança foram distribuídos pelo país para cuidar dos centros eleitorais e as Forças Armadas foram destacadas para várias zonas de proteção especial temporária até às 23h50 horas de terça-feira, 1 de agosto.

A Venezuela está mergulhada na pior crise de sua história. A inflação já passa dos 700% e a pobreza atinge mais de 80% da população. A escassez de alimentos e de outros bens essenciais como medicamentos tem levado milhares a fugir do país. 

O país, que já foi um dos mais ricos da América Latina, tem uma das maiores comunidades de portugueses. Cerca de quatro mil portugueses e luso-venezuelanos já abandonaram o país.